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Chico Buarque

O que será que será? Que dá dentro da gente, e que não devia

Milton Nascimento e Chico Buarque – O que será

O que será que me dá
Que me bole por dentro
O que será que me dá?
Que brota à flor da pele
O que será que me dá?
E que me sobe às faces
E me faz corar
E que me salta aos olhos
A me atraiçoar
E que me aperta o peito
E me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo
Me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá.
O que não tem remédio, nem nunca terá.
O que não tem receita.

O que será que será?
Que dá dentro da gente
E que não devia
Que desacata a gente que é revelia
Que é feito uma água ardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos toda alquimia
E nem todos os santos
O que será que será?
O que não tem descanso, nem nunca terá.
O que não tem cansaço, nem nunca terá.
O que não tem limite.

O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me dá?!
Que me perturba o sono, será que me dá?!
Que todos os tremores vem agitar
Que todos os adores me vem atiçar
Que todos os suores me vem encharcar
Que todos os meus nervos estão a rogar
Que todos os meus órgãos estão a aclamar
Que uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá.
O que não tem governo, nem nunca terá.
O que não tem juízo

Chico Buarque canta: À Flor da Terra (O que Será?) (DVD Cinema)

O que será, que será?
Que andam suspirando pelas alcovas
Que andam sussurrando em versos e trovas
Que andam combinando no breu das tocas
Que anda nas cabeças, anda nas bocas
Que andam acendendo velas nos becos
Que estão falando alto pelos botecos
E gritam nos mercados que com certeza
Está na natureza

Será, que será?
O que não tem certeza nem nunca terá
O que não tem conserto nem nunca terá
O que não tem tamanho

O que será, que será?
Que vive nas ideias desses amantes
Que cantam os poetas mais delirantes
Que juram os profetas embriagados
Que está na romaria dos mutilados
Que está na fantasia dos infelizes
Que está no dia a dia das meretrizes
No plano dos bandidos, dos desvalidos
Em todos os sentidos

Será, que será?
O que não tem decência nem nunca terá
O que não tem censura nem nunca terá
O que não faz sentido

O que será, que será?
Que todos os avisos não vão evitar
Por que todos os risos vão desafiar
Por que todos os sinos irão repicar
Por que todos os hinos irão consagrar
E todos os meninos vão desembestar
E todos os destinos irão se encontrar
E mesmo o Padre Eterno que nunca foi lá
Olhando aquele inferno vai abençoar
O que não tem governo nem nunca terá
O que não tem vergonha nem nunca terá
O que não tem juízo

O que será, que será?
Que todos os avisos não vão evitar
Por que todos os risos vão desafiar
Por que todos os sinos irão repicar
Por que todos os hinos irão consagrar
E todos os meninos vão desembestar
E todos os destinos irão se encontrar
E mesmo o Padre Eterno que nunca foi lá
Olhando aquele inferno vai abençoar
O que não tem governo nem nunca terá
O que não tem vergonha nem nunca terá
O que não tem juízo

O QUE SERÁ – SIMONE –

O que será que será
E todos os meus nervos estão a rogar
E todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo

O que será que lhe dá
O que será meu nego, será que lhe dá
Que não lhe dá sossego, será que lhe dá
Será que o meu chamego quer me judiar
Será que isso são horas de ele vadiar
Será que passa fora o resto do dia
Será que foi-se embora em má
companhia
Será que essa criança quer me agoniar
Será que não se cansa de desafiar
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite

O que será que será
Que dá dentro da gente e que não
devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não
sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem juízo…

Isto, meus amigos, é exaltação. Exaltação feita de cimento e lágrima.

Amou daquela vez como se fosse a última Amou daquela vez como se fosse o último Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse a última Beijou sua mulher como se fosse a única Beijou sua mulher como se fosse lógico
E cada filho seu como se fosse o único E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo tímido E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse máquina Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas Ergueu no patamar quatro paredes mágicas Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse sábado Sentou pra descansar como se fosse um príncipe Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se ouvisse música Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse um pássaro E flutuou no ar como se fosse sábado E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote flácido E se acabou no chão feito um pacote tímido E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Agonizou no meio do passeio público Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego Morreu na contramão atrapalhando o público Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado