Quando era puto e frequentava cafés, às vezes encontrava um gajo que me deixava sempre fascinado. Contava histórias sobre um olho, e sobre nós sentados à fogueira. Era bom quando o encontrava.

Anos mais tarde dei com ele novamente. Estava inchado e parecia anestesiado. Falava e mexia-se muito, muito devagar. Depois disso passei por ele mais algumas vezes. Às vezes estava só ali, de pé encostado a uma esquina.

Disse-me que estava a ser medicado.
Aquilo custou-me imenso, amaldiçoei as drogas que castram e transformam olhos em vegetais.
Depois um dia, ele diz-me que estava muito melhor assim. Sentia serenidade, sem infernos que o perseguissem.
E eu aprendi que é impossível aprender a sentir pelos outros.

Ps. Ainda há cafés para frequentar?