A Mafaldinha é conhecida como Mafalda, a contestatária.

Ficava melhor Mafalda, a perguntatária. Ela não faz mais que perguntar e perguntar-se perguntas irreverentes.
O que há de mais revolucionário que a pergunta, que a incerteza?

Ainda mais hoje. Que temos programas dedicados a esclarecer o que é a verdade, os poligrafos. Onde se censura, apaga e se criminaliza a mentira. Onde os medias já não fingem imparcialidade, e declaradamente tomam o partido da verdade e do bem.

Como conciliar isto com o facto do bem de um, ser o mal de outro? O que é para mim é verdade, é mentira para outro.
Quantas vezes descobri ou achei ser mentira, o que ontem achava ser verdade? E sabe-se que uma mentira repetida muitas vezes torna-se verdade.

Haverá uma explicação, existe agora a boa musica de que todo o mundo gosta, e pode-se com segurança destruir a má musica e prender quem a ouça.

A gente ouve apregoar que a UE e EUA defendem a democracia, a liberdade e os bons principios. Que as guerras que fazem têm boas intenções, que são contra ditadores.

​Então como se explica a defesa intransigente da Arábia Saudita? Um regime bárbaro que comete atrocidades próprias da idade média.

Como se explica que na Europa se tenha libertado o Pinochet por razões ‘humanitárias’, um ditador pessoalmente responsável por muitos milhares de pessoas torturadas e assassinadas? A mesma Europa onde Irmgard Furchner que tem 97 anos, muito mais velha que Pinochet, está hoje a ser julgada por aos 18 anos ter sido contratada para trabalhar nos escritórios dum campo de concentração nazi.

O crime dela foi pior? A humanidade dela é inferior?

Como se explica esta diferença de tratamento?

Será que a bandeira da liberdade e democracia é fraca desculpa para derrotar países que se oponham ao dominio dos EUA?

A única coisa que conta é de que lado estás. Os países amigos como a Arábia Saudita, onde hoje há F1 sem o minimo protesto, podem cometer e cometem as maiores atrocidades.

Quem se oponha, tenha ou não eleições, vai passar por muitas dificuldades. Primeiro por um bloqueio económico. Depois por apoio financeiro e logistico a grupos de oposição interna. Seguidamente guerra de informação.

Com frequência passam na televisão noticias sobre os direitos dos homosexuais na Russia. País onde não existe nenhuma lei contra a liberdade de ser homosexual.

O artigo abaixo tem a Russia como um dos 10 países mais perigosos para ser gay. A Arábia Saudita onde ser gay significa ser decapitado numa praça á frente de toda a gente, não consta na lista. O barbarismo de decapitar um gay em publico por ser homosexual é ignorado pelos jornalistas ocidentais que só noticiam os preconceitos na Russia.

E assim se formam as opiniões. E assim se preparam as guerras. Simples.

https://super.abril.com.br/mundo-estranho/os-10-paises-mais-perigosos-para-ser-gay/

a ordem mundial unipolar

Dez pessoas são atiradas à água e estão a afogar-se. A multidão pega num, recolhe-o para um barco e dá-lhe agasalhos.

Alguém repara que os outros nove ainda estão dentro de água, dois já se afogaram, e grita ‘olhem aqueles que se estão a afogar’

E a multidão responde indignada, como te atreves a desculpar quem atirou para a água a pessoa que salvamos?

Lá porque há outros a morrer afogados, isso não justifica atirar para a água este pobre coitado que salvamos.

A multidão fica bem com a sua consciência, e poêm bandeirinhas para mostrar ao mundo que sofrem com a pessoa que salvaram.

Os outros nove morrem em silêncio.

Todas as vitimas merecem apoio

Traduzir-se

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.