Viver encurralado numa cidade forrada a prédios e aço é horrível
No meio do horrível tenho sorte, aqui tenho andorinhas feitas de jardins e antigas casas senhoriais cobertas de azulejos e poesia

Sinto falta
Há alguém que não sinta falta?
Vivi e tenho o suficiente para saber que a falta não é de coisas

Não é algo que se tenha, que possuir não resolve
Também não é o fruto proibido

São talvez os momentos irrepetíveis e irrelembráveis, em que não há tempo
O Jorge palma é que sabe

e hoje domingo de manhã uma musica que é minha
outra vez e outra vez

Keith Jarret, Jan GarbarekMy song

Uma música minha

Há duas formas de censura, uma em que os livros são retirados das prateleiras ou artigos apagados da internet.

Outra em que os autores dos livros e artigos são atacados e insultados. Mais tarde ou mais cedo resulta em auto censura, que o autor já cansado deixa de publicar o que sabe vai resultar em mais ataques pessoais.

É a censura mascarada de liberdade de expressão.

Da segurança do estado

Há quem diga que as vacinas do Covid serviram para nos marcar e até rastrear, através de algo misturado na vacina.
Não houve sondagem sobre isso, mas estou convencido que a grande maioria das pessoas não acredita nisso. E eu também não.

No entanto é incrível pensar que alguém nos EUA me pode estar a ver em tempo real através das câmaras que os PCs e algumas televisões têm. Mesmo que a televisão esteja desligada. Parece incrível mas é um facto.

Só uma minoria deve saber disso. E desses há os que pensam que os governos não o fariam sem autorização, e se fizessem mais tarde ou mais cedo sabia-se. A verdade é que é cada vez mais provável que nunca se saiba, porque o medo de denunciar é cada vez maior.

Snowden que denunciou a espionagem ilegal em massa está escondido na Rússia e não pode sair de lá. Rui Pinto que denunciou casos de corrupção e fuga a impostos criminosa, está preso. Julian Assange que denunciou crimes de guerra, hipocrisia e arranjinhos políticos está preso há 10 anos e vai ser extraditado para os EUA. Para que os cidadãos não saibam das atividades ilegais do estado é essencial um castigo exemplar de quem ponha a boca no trombone.

Outra estratégia para justificar que vigiem o que dizemos, escrevemos e ouvimos é a segurança. Cria-se o medo, para que se aceite a perda de privacidade e liberdade, a troco da segurança.

Sabemos que os governos estão ativamente empenhados a desenvolver novas técnicas de vigilância e controle, sabemos que essas técnicas são secretas e que mesmo que sejam ilegais não saberemos o que estão a fazer.

Será mesmo assim tão estranho ou ridículo pensar que as vacinas foram usadas para fins não declarados?
Continuo a achar que não, mas talvez esteja a ser ingénuo.

a mulher que falava coisas

eu era gases puro, ar, espaço vazio, tempo
eu era ar, espaço vazio, tempo
e gazes puro, assim, ó, espaço vazio, ó
eu não tinha formação
não tinha formatura
não tinha onde fazer cabeça
fazer braço, fazer corpo
fazer orelha, fazer nariz
fazer céu da boca, fazer falatório
fazer músculo, fazer dente
eu não tinha onde fazer nada dessas coisas
fazer cabeça, pensar em alguma coisa
ser útil, inteligente, ser raciocínio
não tinha onde tirar nada disso
eu era espaço vazio puro

Não sou eu que gosto de nascer
Eles é que me botam para nascer todo dia
E sempre que eu morro me ressuscitam
Me encarnam me desencarnam me reencarnam
Me formam em menos de um segundo
Se eu sumir desaparecer eles me procuram onde eu estiver
Pra estar olhando pro gás pras paredes pro teto
Ou pra cabeça deles e pro corpo deles

https://www.escritas.org/pt/stela-do-patrocinio