Set 18

Não gosto de esparguete

Tenho sentimentos divididos sobre a massificação da internet.

E alguma nostalgia dos tempos em que a internet era uma aldeia pequena.
As pessoas dedicavam-se. Às coisas e às outras pessoas da aldeia.

A internet tornou-se numa cidade de biliões de pessoas. Impessoal e calculista.
O esforço para não desaparecer na multidão é imenso. As pessoas esgadunham-se para serem vistas.
Há cursos, tácticas e truques sobre como ser popular, aparecer, ter likes, visualizações e trinta por uma linha.

Trocar um amigo que te diz ‘está porreiro, pá’, por um milhão de ‘seguidores’ é o absurdo em cuecas.

Há algumas coisas que faço desde há muitos anos. E se o número de pessoas que visitam cresceu para números que nunca imaginei no inicio, o retorno emocional, a motivação, diminuiu na mesma proporção.

0 thoughts on “Não gosto de esparguete”

    1. declaramos fundada a alt-web, um lugar de chá e rosas (e algum xiripiti, vá :))

      à moda da casa no campo da elis, que seja a web no campo

        1. a vantagem do xiripiti, é que se auto-regula, não se pode beber mais que três
          depois de três já não se consegue dizer xiripiti 😀

    1. Faço coisas na net pelo menos desde 1996, no velhinho geocities, e em blogues também desde 2006 curiosamente. O que escrevo e publico, é o que me apetece.
      Só não falo de coisas que são pessoais, apesar de por vezes ter esse impulso. O que faço é por impulso, e esses são os únicos que censuro.
      Tento fazer bem, com a ideia de conseguir, de vez em quando, aquela sensação: caraças, isto fui eu que fiz

      Se alguém gostar, fico contente. Quem gasta uns minutos do seu tempo para me deixar umas palavras agradeço mais.
      Mas não faço por isso. Tenho, mas não uso fb, twitter ou insta. É aí que estão as plateias, blogues são um nicho.

      Quem quer ser lido por muita gente é para aí que vai. Coisa que não critico, é uma escolha. Há muitos blogues bons que morreram porque os donos emigraram para essas redes.
      Se fossemos todos amarelos era uma chatice.

  1. Faço o que quero tendo sempre presente que estou em coisa pública, mesmo quando escrevo nas caixas de comentários, do meu espaço ou de outros.
    Ou seja, o que escrevo poderia dizê-lo em qualquer lugar público. Este é o filtro que está sempre muito bem activado e quero que continue assim.
    Como nos lugares públicos ou com pessoas com quem não privo, não tenho desabafos, não falo do privado-íntimo nem me desnudo no que ao corpo diz respeito, entendo que não devo fazê-lo numa coisa que parece que é apetecível por esse lado, para alguns ou muitos, porque tem um écran que os ilude com o efeito barreira. (também há quem use modos diferentes quando fala ao telefone em relação ao cara a cara; é a barreira).

    Não me interessa se tenho muita ou pouca gente a ler-me, nem pela contabilização dos comentários. Mas gosto de encontrar palavras que apontam para outra linha ou dizem se gostam ou não. Procuro responder a toda a gente e ser agradável. (Abomino mesmo as discussões ou respostas avacalhadas, o deita abaixo, o desdém ofensivo em relação a personalidade ou maneira de estar diferente (se acontece, reajo com o passa à frente), bem como com extensões e presunções abusivas do escrito para o real.)

    Se isto para mim fosse trabalho, essas contabilizações seriam importantes e andaria a publicar nas ‘redes’; assim não.

    Não faço fretes, o que corresponde a outra coisa que acontece no real.

    1. Concordo com tudo, trabalho, comércio, ‘vale tudo’. Nas minhas coisas mais populares, cheguei a usar alguns desses truques. Mas lá está, hoje em dia em dia não tenho ligação emocional com essas coisas.

      Esse filtro do intimo é o que falava, se intimo fosse publico, podiam poupar uma palavra. E esqueci-me dum outro filtro. Faço por não ser desagradável ou agressivo, sendo critico para não ser só sim senhor e palmadinhas nas costas.

      E isso liga com o que gosto de ver e ler, é o que me desperta ideias, o que me surpreende, o que me faz pensar no que não tinha pensado. O pão com manteiga, é bom mas não é o que nos faz saltar.

  2. É sertir-se assolado pela escassez de comunicação entre os funcionários de uma fábrica de palavras, sim, em meio à produção de palavras em escala industrial.

    Termo do expediente. Entramos no metro. Telemóveis em riste. Like. Dislike. Like. Like. Like… lie…

    1. há-se haver sempre um clonk no meio do clik clik clik

      mas que esse funcionalismo industrial da comunicação, é um pouco deprimente, lá isso é

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