Nov 25

Depois abro

porque para conduzir é preciso

vejo um velhote a atravessar a rua todo a balançar, receio que cai para trás
nisto um puto atravessa para o outro lado aos piparotes, receio que caia para a frente

Ambos parecem que dançam, mas de um tem-se quase pena, e do outro quase inveja, porquê?
É certo que o puto se quisesse faria a dança a do velho e o velho não conseguia a dança do puto. Verdade.

Não sendo um nem outro, tenho que defender o segundo por inevitabilidade cronologica.
Faz parte do registo de interesses que todos nós devíamos fazer.

Quando era puto tinha tantas necessidades e dependências.
Era livre de pular mas era muito menos livre no que fazia e principalmente no que pensava.

A crueldade ou o absurdo da vida é esta
Sou mais livre nas escolhas que faço
mas por outro lado tenho menos escolhas

7 thoughts on “Depois abro”

    1. pois isto das escolhas é lixado
      com 20 anos salta-se mais que aos 40
      e é mais fácil mudar de trabalho, ou de país,
      tem-se mais aceitação, a norma é procurar-se e desejar o que é novo
      até nos hospitais há tratamentos que se fazem aos jovens mas não aos velhos

      estava a pensar agora e acho que escolhi mal a palavra
      é o campo das possibilidades que se vai estreitando,
      mas a liberdade da escolha entre as possibilidades vai alargando

      sei lá 🙂

      1. sim, certas mudanças são mais fáceis antes de ter uma vida mais enraizada… mas a liberdade de pensar e de fazer certa coisas, antes “limitadas” pelo social, é infinitamente maior… podemos nos dar ao luxo de ser… excêntricos? 🙂

        1. Pois acho disseste o que estava a tentar 🙂 Somos mais livres de fazer ou não fazer sem fretes, acho.
          E penso que vejo as coisas melhor do que via quando era miúdo.

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