Da vida


2 Comentários

  • Isabel Pires

    A imagem fez-me lembrar uma cena no metro, hoje, por volta das oito da noite. Nos bancos à minha frente estavam um homem e uma mulher, que pela conversa, vivem na rua ou noutra situação “irregular”, frágil, e cuja ligação advém de partilharem um enquadramento semelhante. Discutiam sobre um tablet em mau estado que ele disse ter encontrado na rua e ela descortina mil utilidades e maneiras de ganhar algum com aquilo. Nisto, ele puxa de uma faca de lâmina bem comprida e pontiaguda, primeiro mostra-lha, puxa-lhe a saia toda para cima e encosta-lha à coxa, fazendo movimentos na pele, de ameaça de cortar, como se estivesse a fazê-lo, ao mesmo tempo que os olhos dele circulam entre mim e ela.
    Eu não disse nada, nem me mexi. Agora à distância, julgo que naqueles minutos houve algum medo, mas a sobrepor-se a ideia que iria resolver-se.
    Quando aquilo estava a ponto de virar para pior, ou eu estava com ar de pânico, um homem da outra fila veio acalmá-lo até que guardou a faca, e também me agarrou o ombro, como que a acalmar-me.

    • Luis

      sexo, violência, suspense, podia ser um filme

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