As palavras são os corantes e conservantes disto a que, à falta de melhor palavra, chamamos vida.

 

Ao almoço, o facto de ser alto levou-me a não comer arroz de polvo.

 

Já repararam na forma como as calças estão a invadir as pernas das nossas mulheres?
Nossas no sentido carinhoso de quem quer possuir aquilo que gosta.
Possuir não necessariamente no sentido sexual, até porque nunca tentei meter o meu coiso num copo de gin tonic ou numa garrafa de tinto.
Nossas no sentido de cada um com a sua.

A saia rodada não foi inventada por acaso. Fica a meio caminho entre a perna que se vê e a perna que não se vê.

Homens! A saia está em extinção. A união faz a força, juntos na defesa da saia portuguesa!

 

Meio por acaso apanhei-me a fazer o seguinte exercício. Pensar em pormenor no que vou fazer amanhã. Acordar, levantar, duche, sair de casa, pequeno almoço, etc etc. E em que medida isso do que sei que vai ser amanhã altera o meu dia de hoje, e eventualmente o de amanhã.
E uma coisa ressalta, pelo menos no meu caso. É que posso em grande parte antecipar sempre o que vou fazer no dia seguinte. Prever, planear é coisa boa. E faço isso.
Voltando ao ponto que acabei por não escrever neste poste, os momentos únicos não se planeiam.
Olhando para trás, os momentos inesquecíveis que vivi não foram planeados. Tive intenção de ir aqueles sítios ou com aquelas pessoas, mas depois o que aconteceu, aconteceu simplesmente. Tal como podia não ter acontecido, exactamente nos mesmos sítios com as mesmas pessoas.

 

Lurdes Norberto