No peito uma dor que entope a fala e que a pede. Uma dor inexplicável e insolúvel que brota águas e uivos lancinantes e não para e nada para. A dor dos desastres recorrentes. A dor que já não sei se é de ti, se de mim, se de tudo ou de tanto nada. A dor que quero curar e nada cura. Como queria quem me ensinasse o mundo.

Porque me lembrei disto agora que estou contente, e vá lá feliz? Pergunta parva, não me vou chatear muito com ela.

E que a Clara também se tenha deixado de preocupar com essas merdas de perceber o mundo.

O truque é desperceber e brincar na confusão da areia. E por mais porcarias que nos estejam a chatear o juízo, há isto

Mas também sei que dizer isto aqui sentadinho a ouvir boa musica depois de almoçar bem, é fácil.
Durante anos cheguei a casa ás 2 da manhã e ás 7 estava no comboio de volta.
E conheço quem ás 7 da manhã dum dia chuvoso de inverno esteja na paragem com o filho ao colo para o levar à creche, antes de ir trabalhar.

Sei perfeitamente que estou armado em cagão sobre a importância de apreciar o que há de bom em cada dia,
porque apesar de todas as porcarias que tenho que enfrentar (e são muitas) tenho uma boa vida.

Ah e tal e quem tem uma vida realmente difícil?
Falem com a malta que acha que este sistema é muito bonito, e que a culpa é minha por não ir de 4 em 4 anos rabiscar um papelinho a dar carta branca aos que nos vão foder nos próximos 4.
É que nem me levam a jantar antes, nem me telefonam depois. Assim não.

Como raio é que vim parar à politica? Porra para isto.

Adenda para uma coisa bonita 🙂 lido agorinha mesmo
Pessoas que se beijavam sem se amar, e se falavam sem dizer nada

xiça, está muito bem escrito mas como não me apercebi que é deprimente comó caraças? 🙂

Há coisas do carago, juro pelas minhas alminhas que estou mesmo muito bem disposto,
e um gajo relendo o que acabo de escrever, são só barbaridades de cortar os pulsos 😀

queraute, yehhhh!