pequenas coisas

turning into dust

Mazzy StarInto Dust

não quero ser nada do que não sou, e depois mais um bocado

 

que as paredes venham, o silêncio suba pelo corpo,
a noite inteira, centímetro a centímetro

 

 

se tivesse uma mala enchia-a de esquecimento e vinho
e esperava

 

 

estou destinado a ter medo
que o mar se apaga em qualquer janela

 

 

bebo aos joões e marias
que de cada pequena terça-feira
fazem uma onda

 

 

saí para comprar uma barragem e lágrimas

 

 

afazeres
reunir a cama, lavar os papeis, fazer o chão
despir-me, que os olhos pesam

 

 

quero aprender a pintar
vou pintar o antónio, o joão, a maria e um unicórnio cor de rosa que me veio dar a mão

 

 

se as pessoas são tão espertas, porque roubam as máquinas o trabalho às pessoas,
e não vejo pessoas a roubar o trabalho às máquinas?

 

fechemos a caneta, cansei-me, vou fazer um chá

 

 

 

o pior dos subúrbios é gerar suburbanos

 

Ouvi dizer que as mulheres envelhecem pelas mãos. Será verdade?

 

Uma pessoa de princípios é uma pessoa que não acaba?

 

dizer o que se deve dizer
ou dizer o que não se deve dizer?

29 comments on “pequenas coisas

  • Isabel Pires says:

    No geral,
    – pensar no que se diz e não dizer tudo o que se pensa
    – ser honesto e usar de lisura não implica ser-se transparente
    – ser honesto e verdadeiro não deve passar para o lado da arrogância e retirar-nos o lado agradável da relação com os outros
    Um exemplo comezinho, mas que julgo poder ilustrar o que quero dizer: se eu não gostar da tua camisola não devo dizer; mas se me perguntares se gosto da tua camisola, devo dizer que não gosto. Mas se gostar da tua camisola, posso e devo dizer sem que perguntes.

    Se estiveres a referir-te ao contexto a que o título da canção alude (bonita melodia!), deve-se ser agradável, dizendo ou não dizendo palavras. (Alguma coisa que haja para dizer em sentido contrário, (e tenho muitas reservas sobre o interesse e “utilidade” disso), é para outra altura e, mesmo assim pensado e dito com tacto/elegância.)

    • Luis says:

      Há coisas que nascem da diferença
      o caminho do que se deve fazer leva sempre ao mesmo sitio

    • Luis says:

      sabes como é, ponho sempre óculos, a mão no queixo, um livro debaixo do braço e olhar pensativo virado para o horizonte ?

  • Isabel Pires says:

    (Por causa dos acrescentos à versão inicial)

    Experimenta substituir subúrbios e suburbanos pelos equivalentes periferias e periféricos… (não serão subúrbios e derivados, palavras ‘demasiado’ engagées como diriam os franceses (e nós já dizemos) e por isso remetem bastante para impressão negativa que está associada?)
    Outra experiência: substituir pior por melhor, tanto na colecção subúrbio como na periferia…

    O dorso das mãos costuma apresentar mais cedo sinais de envelhecimento do que a pele do rosto, o que também é válido para os homens.
    Diz-se mais isso em relação às mulheres, como outras coisas relacionadas com o envelhecimento físico são mais ditas em relação às mulheres, porque neste aspecto a idade é mais madrasta para elas. (Talvez o reverso e lado amargo de a idade/beleza/juventude ser mais valorizada nas mulheres jovens em relação aos homens da mesma idade.)
    Normalmente uma mulher fica “fora” mais cedo, em vários territórios do micro e do macro mundo, embora essa diferença esteja mais atenuada em relação ao que sucedia há vinte ou trinta anos. E este ficar “fora” tem muito que ver com a aparência, com o cuidado que revela ter com essa parte. Às vezes apanho comentários e desabafos amargos sobre esta parte. Não me posiciono assim. Encaro mais como um desafio bom (e tento desafiar-me e contrariar isso por mais tempo), ao mesmo tempo que tento encarar como uma diferença tranquila.

    Estou a lembrar-me do Almada, quando dizia gostar de pessoas que não acabam.
    Eu também gosto de pessoas que não acabam. Também por isso. Para serem pessoas que não acabam, têm de ter princípios éticos. (As outras morrem na praia.)
    Para além do novo que lhes está na alma, têm a possibilidade que nunca acaba de renovarem, fazerem, resolverem, inventarem.

  • kodakkhrome says:

    detesto a cidade apesar de ter uma casa brutal em Lisboa, alugada a turistas de dinheiro não sei se ’tás a ver?
    em três dias faço a mensalidade de um emprego topo de gama.
    querem luxo ora tomem lá, parece Paris e o apartamento do Socratres
    :)))
    subúrbios epah o pior são os pretos e os ciganos…
    :)))
    até parece….;)
    uma vez, publiquei os interiores da minha casa em Lisboa e fikou tudo parvo
    gente como eu que pertence ás tais famílias tradicionais cinco estrelas
    apelidos com K e A, tudo do Antigamente.
    Heranças, pois claro
    chiça!
    não sabias, queres ver…

        • Luis says:

          Não te aconselho, os meus pais começaram esse trabalho, depois cresci muito, acabou-se o tijolo e mandaram-me à vida

          olha podemos fazer umas malgas pró chá, melhor empregue

      • kodakkhrome says:

        não acredites quando falo de pretos e ciganos da maneira que falo. PURO SARCASMO!
        exactamente
        e agora deixo-te sem me despedir.
        vou mas volto
        agora tem mesmo de ser.
        🙂
        é por bem!

  • kodakkhrome says:

    o envelhecimento é uma coisa fodida
    não pela pele pela maneira desprezível
    como os mais velhos
    são tratados pelo pessoal dos hospitais públicos
    ver para crer.
    já vi e já mandei vir com o pessoal só por assistir
    a um desses tratamentos como se os velhos fossem
    lixo. deprimente e feio. por isso não há como ter
    dinheiro para os privados.
    um velho é marcado para morrer.
    gente horrorosa os tugas merdosos.
    maiores de 60 e estás feito!
    acredita em mim que já assisti não uma
    mas mais vezes…

    • Luis says:

      o woody allen dizia que não queria atingir a imortalidade pela obra, mas sim por não morrer
      eu quero atingir aquela história do ser sempre jovem, através de não envelhecer

      • Kodak Khrome says:

        Estás a ver como o meu comentário acerca dos mais velhos veio a confirmar-se nesta pandemia nos lares de idosos e etc…
        Deprimente e repugnante mas verdadeiro.
        Estão se nas tintas agora como sempre estiveram.
        Eu a saber e a ver tudo como num filme a acontecer. Terrível!
        Marcados para morrer dava um bom nome para um filme
        Vou
        Tudo de bom para ti.
        Não dava continuar com o blogue.
        Disse
        Vou ter saudades
        Beijo

  • Isabel Pires says:

    A música do último acrescento (último até ver), assim como o 5º. pedaço de palavras, são bem bonitos!

    • Luis says:

      Estas ultimas tretas saíram de seguida ontem à noite em menos de uma hora. Queria escolher um ou dois, mas primeiro prefiro um, depois prefiro outro, depende

  • Luis says:

    para memória futura até ao ‘fechemos a caneta, cansei-me, vou fazer um chá’
    foi escrito de seguida depois de jantar, num quarto de hotel em Northwich

    • Kodak Khrome says:

      Para memória futura e para efeitos de garantia do presente enquanto futuro
      Até um dia, se for o caso?
      Take Care!
      Kiss kiss bang bang para toda a gente.

    • Luis says:

      saudades tuas que não há quem te veja em sitio nenhum,
      até os belos ‘fecharam’… e a falta que fazem sítios sem tretas

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