Poesia Dita

o coração de papel amareleceu no esquecimento de te amar

Al Berto
Al Berto

habito neste país de água por engano
são-me necessárias imagens radiografias de ossos
rostos desfocados
mãos sobre corpos impressos no papel e nos espelhos
repara
nada mais possuo
a não ser este recado que hoje segue manchado de finos bagos de romã
repara
como o coração de papel amareleceu no esquecimento de te amar

Serenidade és minha

Raul de Carvalho
Vem serenidade (Mário Viegas)
Raul de CarvalhoVem serenidade (Mário Viegas)

Vem, serenidade!
Vem cobrir a longa
fadiga dos homens,
este antigo desejo de nunca ser feliz
a não ser pela dupla humidade das bocas.

Vem, serenidade!
faz com que os beijos cheguem à altura dos ombros
e com que os ombros subam à altura dos lábios,
faz com que os lábios cheguem à altura dos beijos.

Chove…
Mas isso que importa!,
se estou aqui abrigado nesta porta
a ouvir na chuva que cai do céu
uma melodia de silêncio
que ninguém mais ouve
senão eu?

José Gomes Ferreira
Chove (Mário Viegas)
José Gomes FerreiraChove (Mário Viegas)

Chove…
Mas é do destino
de quem ama
ouvir um violino
até na lama

mais

As palavras

Gastão Cruz
As palavras (Mário Viegas)
Gastão CruzAs palavras (Mário Viegas)

somos nós

O passado e o futuro

Eis a lógica economicista do absurdo.

A frase que nada informa e só insinua, gera mais cliques, torna-se mais popular (viral como se diz) e por isso merece mais destaque.

A frase que descreve o que se passou, fica para segundo plano. Não gera cliques nem receita.

A informação primeiro travestiu-se de entretenimento e agora tornou-se um produto que se vende como se fosse margarina.

O consumo sabe como vender. As pessoas por si precisam de pouco.
A ideia não é produzir o que as pessoas querem, mas sim que as pessoas queiram tudo o que se produz.

Criar necessidades é simples. É só jogar com os mecanismos emocionais.

Que me desculpem o sol, as estrelas e a costureirinha que vendeu a virgindade num domingo, dia em que estão fechadas as lojas de penhores

Manuel da Fonseca
Domingo (Mário Viegas)
Manuel da FonsecaDomingo (Mário Viegas)

 

Os actores vivem a sério no palco o que os outros na vida representam mal.