Ao adormecer em Lisboa


4 Comentários

  • Isabel Pires

    Por coincidência, ontem chegou-me o boletim da Amnistia Internacional que dá conta do balanço dos jornalistas mortos, presos, reféns e desaparecidos no mundo em 2017, um trabalho elaborado pelos Repórteres sem Fronteiras.

    Do que se conhece, em 2017 houve:

    65 mortos (menos 18% do que em 2016)
    54 reféns
    326 presos
    2 desaparecidos

    Dos jornalistas mortos, 40% foram-no em campo sem que tenham sido visados; 60% foram-no após terem sido tomados por alvo devido à sua actividade.

    De 2003 a 2017 foram mortos 1035 jornalistas profissionais, sendo o ano de 2017 o menos mortífero para a profissão, mas não o digo para ficarmos descansados. Até porque esta tendência também se deve à “redução da presença e do número de jornalistas em países onde a situação se tornou particularmente perigosa”.

    Síria, México, Iraque e Afeganistão, são os países mais perigosos para os repórteres.

    Quanto à classificação mundial em termos de liberdade de imprensa (e isto porque Carlos Cardoso foi assassinado em Moçambique quando investigava um presumível caso de corrupção), Moçambique encontra-se na 93ª. posição (comparando: Noruega está na 1ª.; Portugal está na 18ª., Brasil na 103ª.; Angola na 125ª; Coreia do Norte na 180ª….), o que em termos de CPLP, significa estar abaixo de Cabo Verde e da Guiné Bissau.

    Trabalho completo pode ser visto aqui:
    https://rsf.org/pt/balanco-dos-jornalistas-mortos-presos-refens-e-desaparecidos-no-mundo-em-2017

    São números, estatísticas, eu sei.
    E também sei que só interessam se nos levarem a algum lado.
    Trouxe-os aqui como uma possibilidade de inquietação que nos faz falta, que não se dorme, vive… com o mesmo descanso em Helsínquia, Lisboa, Maputo, Luanda…
    Embora tudo faça falta em termos de direitos humanos, julgo poder afirmar-se que à cabeça vêm a saúde (e condições de vida associadas) e a segurança. Se no nosso mundinho daqui trememos rapidamente com ‘pequenas’ ameaças à nossa segurança e medimos passos (eu meço e sinto-me condicionada sem me sentir amedrontada), como será em lugares em que a liberdade está muito mais ameaçada? E isto também é connosco, sim.

  • Luis

    Fui pelo que dizes na última parte. O ter sido assassinado é a cereja no topo do bolo.

    O que faz dele um herói, é viver todos os dias em Maputo, como são heróis os muitos biliões de pessoas que vivem em condições inimagináveis por nós, quando nos deitamos no conforto das nossas camas de primeiro mundo.

  • mónica

    é verdade sim senhor, não imaginamos como é viver sem ter uma torneira para abrir

    • Luis

      E mesmo quando se imagina, como tu, não se sabe como é.

      É preciso viver isso durante anos sem grandes esperanças que mude para se saber como é.

      Há quem vá dormir com os em abrigos uma noite para dizer que sabe. Mas não sabe, porque tem sempre presente que no dia seguinte vai dormir numa cama.

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