a ordem mundial unipolar

Dez pessoas são atiradas à água e estão a afogar-se. A multidão pega num, recolhe-o para um barco e dá-lhe agasalhos.

Alguém repara que os outros nove ainda estão dentro de água, dois já se afogaram, e grita ‘olhem aqueles que se estão a afogar’

E a multidão responde indignada, como te atreves a desculpar quem atirou para a água a pessoa que salvamos?

Lá porque há outros a morrer afogados, isso não justifica atirar para a água este pobre coitado que salvamos.

A multidão fica bem com a sua consciência, e poêm bandeirinhas para mostrar ao mundo que sofrem com a pessoa que salvaram.

Os outros nove morrem em silêncio.

10 comments on “a ordem mundial unipolar

  • bemsalgado says:

    “MUNDO: Donos de bares jogam vodca no chão, outros usam para lavar o chão como forma de protesto, solidariedade e boicote.
    O álcool fabricado na Rússia é o alvo mais recente da crescente reação contra a invasão da Ucrânia pelo país.”
    Publicado por FameTV7
    https://famatv.pt/mundo/03/02/donos-de-bares-despejam-vodka-no-chao-outros-usam-na-para-lavar-o-chao-como-forma-de-protesto-e-boicote/

    É mais uma demonstração comovente da febril solidariedade com a Ucrânia que enche de emoção todos nós, “ocidentais”.
    Atinge e ultrapassa os 40 graus da Smirnoff ou da Stolichnaya.

    Tudo seja pela intransigente defesa do sagrado dereito fundamental de um país para adherir uma aliança militar qualquer. E muito mais, se ela é a única que ha, sendo, como bem sabemos, estrictamente defensiva.
    Que quando decide atuar longe das próprias fronteiras, invadindo terceiros países por exemplo, é porque as circunstancias da autodefesa obrigam-a a pôr em prática a doctrina Busch da Guerra Preventiva Infinita,
    científicamente denominada Doctrina da Agressão Positiva.
    Como agora fez a Russia. Desprovida, quando menos explícitamente, de parceiros de coalizão que a garantam, ou em quem mandar, atua por conta própria, e com “presuntos litigios pendentes” por cobrar.
    O mundo não tem remedio, era a sentença das gentes ordinarias para casos assim; nem, para o “homem” que somos, ha perdão.

    • Luis says:

      Li há dias que o restaurante de comida russa mais antigo de Lisboa, está às moscas. Isto apesar de os donos não serem russos e de os empregados serem ucranianos.

      A televisão perdeu as cores, nem tons de cinzento tem.
      Da ucrânia só vejo herois e vitimas inocentes. Ninguém fez nada de mal. São todos imaculados e heroicos.
      Quem tenha nascido russo é filho do diabo. Seja tropa, cantor ou canalizador, nenhum é capaz dum gesto de bondade e são merecedores de castigo.

      • Luis says:

        Estamos agora preocupados com o preço da gasolina, como as sanções nos vão afectar.

        Convém lembrar que isto é ricochete das sanções reais aplicada ao povo da russia. E que são muito mais leves do que as que nós estamos a aplicar à Siria, um país destruido
        https://expresso.pt/internacional/2022-02-22-muitos-dos-miudos-perdem-horas-na-fila-da-padaria-para-conseguir-pao-e-deixam-de-ir-a-escola-o-padre-goncalo-viveu-quatro-anos-na-siria-e-tem-uma-historia-para-contar

        E porque é que estamos nós a aplicar as sanções à Siria? Porque é uma ditadura?
        É que mesmo ao lado há um ditator na Arabia Saudita, que não só não tem sanções como é um pais amigo e aliado da EU e EUA.
        Um pais onde não há liberdade politica ou religiosa. Onde nunca houve uma unica eleição e quem pretenda ser cristão é condenado à morte.
        Amputam as mãos ou pés a ladrões, homosexuais ou adulteros. A pena para a embriaguez é flagelação publica. A pena de morte é por decapitação em praça publica.
        São os homens que decidem sobre a vidas das mulheres que precisam de autorização do homem para viajar, trabalhar ou estudar. Os casamentos de crianças são permitidos e comuns. A burka é obrigatória por lei para as mulheres.
        A Arabia Saudita apoia movimentos extremistas e terroristas em várias partes do mundo. Pouco tempo atrás a Arabia Saudita torturou, matou e desmembrou um jornalista dentro da sua embaixada.

        Como se não bastasse ajudarmos uns ditadores monstruosos, enquanto destruimos um país ao lado. E quem foge das ruinas que causamos, fechamos as portas e deixamos morrer ao frio.

        Uma porcaria de mundo este, com uma porcaria de humanidade.

    • Luis says:

      é isso Ana, sofresse cada pessoa um milésimo do sofrimento dos outros
      quando chegasse a sua vez de sofrer teria milhares de pessoas prontas a eliminar esse sofrimento

  • bemsalgado says:

    Do meu amigo Rioderradeiro em Facebook

    Manuel María Pena Silva

    Do MAINE á UCRAÍNA
    (só hai un paso)

    O Maine. Aprendamos do Maine. Tememos nota das ensinanzas do afundimento do Maine. Repasemos as leccións de como se consumaron as independencias de Cuba, das Filipinas, de Porto Rico…, da man dos benfeitores. Matinemos nas súas simulacións e nas súas falcatruadas para se apoderaren da propiedade allea e dominar o mundo. Que me dicides da Base de Guantánamo? O imperialismo dispón de arsenais ateigados de mentiras, de “falsos positivos” elaborados en obradoiros manipuladores da mente humana.

    Cando acabe a tolemia desencadeada por uns e por outros na Ucraína, que ha rematar de moi mala maneira, quen vai pagar os pratos rotos? Quen? Pois nós, todos nós, os “paganos”, e xa nos podemos ir mentalizando para desencriptar os custes (con lupa) dentro dos conceptos disimulados en letra miudiña nos recibos da luz, do gas, da gasolina…, nos impostos directos ben gravados con IVE e nos indirectos das cousas de enviar pola boa que é a túa e que é a miña.

    Estes ventos secos, pero fríos, desleigados, do nordés europeo, os perfís haxiográficos dos líderes do Batallón Azov, tráenme á memoria campañas patrióticas de promoción e ascenso, “in illo tempore”, á santidade da nosa Isabel a Católica, unha idea brillante, moi ben acollida polos descendentes dos xudeus sefardís que aínda conservaban, en Turquía, en Grecia…, as chaves das súas antigas casas peninsulares. E a devoción a F. Franco? Non che é coña, varios oradores sagrados xa o vían no altar, no santoral, e houbo quen encargou madeira do país, de castiñeiro e de carballo, compatible coa súa estatura de venerable Cid Campeador, coma o mesmísimo Apóstolo Santiago, tamén invicto na anterior Cruzada.

    A historia oficial, a das igrexas e a das nacións, primeiro, escríbena (a sangue e fogo) os vencedores e, se andan polo medio os artistas de Bollywood, o guionista retoca o relato, aféitao, afínao, faino apto para o consumo… Total, do MAINE á UCRAÍNA só hai un paso.

    Viva san Cirilo!

    (Rioderradeiro)

    • Luis says:

      Sabes, bemsalgado, ver tanta injustiça, hipocrisia e desumanidade gera-me tal revolta e indignação vã, que por vezes só me apetece esquecer. Desligar de tudo.
      Dedicar-me a artes e coisas bonitas. Mas como posso ignorar o sofrimento de gente como eu, sejam ucranianos ou sirios, da libia ou do yemen. Como posso ignorar e depois ir dormir de boa consciência?
      A tortura é não poder nem dever ignorar, mas haver tão pouco ou nada que possa fazer.

      • bemsalgado says:

        É como tu dizes, Luís. Em uma ocasião eu lembro de ter lido aqui (TnoB) que disseste algo assim como que precisavas te alimentar mínimo de uma dose diária de beleza para sobreviver.

        Pareceu-me não apenas uma resposta inteligente, mas também essencial para preservar a saúde mental, fronte da realidade quando nós a percebemos como hostil e brutal. Como assim tem sido, na Europa, desde as mudanças na Roménia e, sobretudo, na Jugoslávia, e depois já logo a seguir, sem demora, no Médio Oriente e Norte de África. Como assim tem sido desde as mudanças na Roménia e sobretudo na Jugoslávia, na Europa e mais tarde no Médio Oriente e Norte de África.

        Também não ajuda notar a absoluta indiferença em nosso meio social, diante dos infortúnios que contribuímos para semear longe de nossas fronteiras, dos quais somos co-participantes diretos, apoiando assim decisões de cooperação tomadas principalmente pelos governos e instituições de nossos dois países.

        Quando alguém, por uma espécie de fatalidade, desde que se lembra, sempre se posiciona do lado perdedor, é altamente recomendável recorrer à mesma receita de alimento espiritual que você usa.

        Alivia, mas não chega, saber que mais pessoas compartilham a mesma raiva, a mesma impotência, a mesma angústia, quando sabes que de nada servem para alterar o curso das coisas.

        Para finalizar, deixo abaixo um texto que venho de ler ha minutos, de um escritor galego, de Santiago. Um grande abraço Luís.

        São dois textos:

        1º.- Suso De Toro Autor Literario
        SEN COUSA QUE OFRECER

        Ás veces un só ten impotencia e non ten nada para dar, así que é mellor o silencio.

        Deixo únicamente un chío que puxen pola mañá:
        @SusodeToro1

        Europa ha cambiado en semanas: no es otra, ya no es.
        Europa son “estados satélite”.
        Polonia era hace semanas un evidente enemigo del proyecto europeo, una sucursal de Washington y un gobierno ultra reaccionario.
        Hoy es el estado que guía a los otros estados satélite europeos.

        (Por se serve de nota alegre estoutro que apañei onte. Obsérvese a pose farruca desa bela muller, madia leva: Acontravento …

        2º.- Suso De Toro Autor Literario
        O RAPTO DE EUROPA

        Ter memoria é o que nos fai persoas adultas. Sen dúbida é unha carga e pode ser unha condea mais é o que nos fai seres capaces de tomar decisivos calibradas e independentes. Os españois, como os peixes e como as crianzas, teñen pouca ou ningunha memoria.

        Foi a Gran Bretaña, con Neville Chamberlain e despois con Churchill, quen presionou á república francesa para bloquear a axuda á República española, mentres os fascistas italianos e os nazis alemáns pasaban armas e homes a Franco.

        E foi a Gran Bretaña do conservador Churchill e posteriormente do laborista Bevin, na fin da II Guerra en territorio europeo e xa acabada quen decidiu contemporizar co réxime de Franco, que lle resultaba moi cómodo e dócil (aínda que Franco, astutamente, alimentaba interiormente a propaganda contra os británicos e a masonería internacional).

        Para Churchill, despois de axudar a afogar el a República, “cada país tiene los gobernantes que se merece” e para o responsábel do Foreign Ofice Bevin, o 20 de Agosto de 1945 na cámara dos comúns, “a custión do réxime de España é cousa que lle corresponde decidir ao pobo español”.

        O cinismo da que era entón a gran potencia imperial británica é incomparábel.

        Os EE.UU, que durante a guerra civil española e a guerra europea foran máis críticos co réxime de Franco e que foron indo conducidos polos británicos a contemporizar, tomaron o relevo no dominio político, económico e militar mundial e abrazaron a Franco. Nacimos e vivimos baixo un estado totalitario grazas a británicos e norteamericanos.

        (Na actual exposición no Pazo de Fonseca que comisariou o Pepe Barro, “Deber de Baltar”, sobre “Un señor elegante” exponse unha carta aberta ao consul británico en Vigo datada no día no que os Aliados venceran as potencias fascistas rogando, desesperadamente, unha mudanza da postura ao goberno da Gran Bretaña. Tal era a soedade da Resistencia.)

        Agora asistimos á sumisión absoluta do proxecto europeo aos designios imperiais de EE.UU. A Unión Europea subsumida nun novo reaxuste internacional entre dous bloques: o que se configura coa China, Rusia, Irán, India e outros países e outro bloque que se configura ao redor dos EE.UU cos países anglosaxóns da Rede Echelon (Reino Unido, Australia, Canadá e Nova Zelanda) e que controla os países satélites europeos.

        O dominio monetario mundial do dólar está en cuestión, chineses, rusos, indios comezan intercambios nas súas moedas, e o euro, que foi tan atacado desde Wall Street, definitivamente ve cuestionado o seu futuro.

        Realmente alguén cre que nesta guerra un bando ou outro, rusos ou OTAN, están a loitar polo pobo ucraíno ou por algún ideal?
        Hai quen crea tal cousa?

        Estamos asistindo, e participando, nunha loita de potencias. E nós somos sumisos peóns nun bando.

        Que ninguén finxa inocencia. Quen se mostre disidente da visión obligatoria será sinalado e acusado, así será como xa foi antes. E quen cale e asinte, non será cúmplice tamén?

        (Rubens cando imaxinou o rapto de Europa por Xúpiter imaxinouna robusta e ben mantida, non é o caso…)

        https://www.facebook.com/suso.detoro

        • Luis says:

          Tenho este blogue por várias razões. Uma é porque sim. Outra é para anotar coisas que me quero lembrar. Que a beleza é como o ar, precisamos dela para não morrer.
          É o balão de oxigénio para quem como nós, na selva se posiciona do lado do perdedor, dos indefesos e desvalidos.

          “Alivia, mas não chega, saber que mais pessoas compartilham a mesma raiva, a mesma impotência, a mesma angústia, quando sabes que de nada servem para alterar o curso das coisas.”

          Puxar do Brecht ambém não chega, mas pode aliviar mais um pouco, e não sei que mais dizer, nem para mim sei.
          https://www.escritas.org/pt/t/1500/elogio-da-dialectica
          https://www.escritas.org/pt/t/1496/ha-homens-que-lutam-um-dia-e-sao-bons
          És imprescindivel bemsalgado.

          “Ás veces un só ten impotencia e non ten nada para dar, así que é mellor o silencio.”
          O silêncio não é melhor, é um momento, é um cansaço. Mas o que se sente não se cala.

          O resto do texto como sabes, concordo plenamente. E deixo mais uma pergunta (conscientemente direcionada :), porque será que nos media se discute tão pouco os interesses que despoletaram isto, e nos interesses no que possa advir disto. Pouco vejo para além do discurso preto e branco, Russia má, EUA/EU bom.

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