Essência

Que é da essência do homem que não muda? A malta fala do progresso e tal.
Mas o homem, o que somos, não mudou nada.
Isto foi escrito há centenas de anos, mas podia ter sido escrito hoje.

Assim nos traz a mudança
De esperança em esperança
E de desejo em desejo.

Mas em vida tão escassa
Que esperança será forte?

Fraqueza da humana sorte,
Que quanto da vida passa
Está receitando a morte!

e quando se abre uma lata de inverno e tem o verão lá dentro?

uma hora por dia frente ao mar devia fazer parte do plano nacional de qualquer coisa

todo o movimento é relativo
muito do que se agita não se move

 

e depois há o que estando imóvel
nunca está no mesmo sítio

Andei á procura duma flor vermelha

 

não encontrei, mas dei com o sol

 

De tanto olhar o sol,
queimei os olhos,
De tanto amar a vida enlouqueci.
Agora sou no mundo esta negrura.
À procura
Da luz e do juízo que perdi.

Egotismo

Antes: comer na adega dos passarinhos sentado numa saca de batatas

Agora: comer a adega com batatas a pensar em passarinhos

A adega dos passarinhos ainda existirá?

Se fosse gaijo de filosofar perguntaria,
o eu que era eu, sentado numa saca de batatas,
é o eu que sou eu, a sonhar com passarinhos?

Resumindo, o que sou do que era? dando como certo que ainda sou eu.
É uma pergunta muito gira, que se pode perguntar de muitas formas, o que é eu?
É que ainda sou eu, mas já não sou o que era 😀

E isto tudo por causa do musgo.

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