• 09 Jun 2019

    turning into dust

    Mazzy Star
    Into Dust
    Mazzy Star Into Dust

    não quero ser nada do que não sou, e depois mais um bocado

     

    que as paredes venham, o silêncio suba pelo corpo,
    a noite inteira, centímetro a centímetro

     

     

    se tivesse uma mala enchia-a de esquecimento e vinho
    e esperava

     

     

    estou destinado a ter medo
    que o mar se apaga em qualquer janela

     

     

    acredito em deus
    quando fazes de mim noite em pleno dia

     

     

    bebo aos joões e marias
    que de cada pequena terça-feira
    fazem uma onda

     

     

    saí para comprar uma barragem e lágrimas

     

     

    afazeres
    reunir a cama, lavar os papeis, fazer o chão
    despir-me, que os olhos pesam

     

     

    fiquei só com uma gaivota,
    deixou no terraço da parede
    à minha frente
    nada

     

     

    quero aprender a pintar
    vou pintar o antónio, o joão, a maria e um unicórnio cor de rosa que me veio dar a mão

     

     

    se tenho algum dom, é o de ver o sol mesmo quando chove

     

     

    se as pessoas são tão espertas, porque roubam as máquinas o trabalho às pessoas,
    e não vejo pessoas a roubar o trabalho às máquinas?

     

    fechemos a caneta, cansei-me, vou fazer um chá

     

     

     

    o pior dos subúrbios é gerar suburbanos

     

    Ouvi dizer que as mulheres envelhecem pelas mãos. Será verdade?

     

    Uma pessoa de princípios é uma pessoa que não acaba?

     

    dizer o que se deve dizer
    ou dizer o que não se deve dizer?

     

     

     

     

     

     

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  • 03 Jun 2019

    Segunda-feira

    É segunda-feira.
    Há árvores céu e estradas sem fim.
    Existe uma normalidade rectilínea em tudo o que me cerca
    e no entanto choro.

    Choro lágrimas anormalmente rectilíneas
    vazias de árvores céu e estradas sem fim.

     

     

     

     

     

     

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  • 02 Jun 2019

    Anne Briggs

    Anne Briggs
    Lowlands Away
    Anne Briggs Lowlands Away

    Esta é a história duma cantora que só queria cantar. Desde os anos 70 que recusa todas as editoras e propostas de concertos. Nunca procurou o sucesso ou a popularidade. Os filhos cresceram sem saber da carreira da mãe. No entanto é considerada das melhores e mais cristalinas vozes do folk.

    Detestava cantar em edifícios, preferia andar pela estrada e cantar na rua ou em pubs. Fechava os olhos e cantava para dentro de si. Saiu de casa aos 17 anos para percorrer o país. Era um espírito livre. Amou, teve filhos, vivia em carrinhas e caravanas. O que não era convencional uma mulher fazer, ela ia e fazia. Um belo dia saltou dum rochedo para ir procurar focas. Dizem que bebia muito, e vivia muito. Eu gosto dela.

     

     

     

     

     

     

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