Escrito em 79, cantado por vezes, vive comigo desde que o ouvi

Consolida filho, consolida

https://tintanobolso.escritas.org/um-gajo-que-se-da

Sou português, pequeno burguês de origem, filho de professores primários, artista de variedades, compositor popular, aprendiz de feiticeiro, faltam-me dentes.

Sou o Zé Mário Branco, 37 anos, do Porto, muito mais vivo que morto, contai com isto de mim para cantar e para o resto.

O passado e o futuro

Eis a lógica economicista do absurdo.

A frase que nada informa e só insinua, gera mais cliques, torna-se mais popular (viral como se diz) e por isso merece mais destaque.

A frase que descreve o que se passou, fica para segundo plano. Não gera cliques nem receita.

A informação primeiro travestiu-se de entretenimento e agora tornou-se um produto que se vende como se fosse margarina.

O consumo sabe como vender. As pessoas por si precisam de pouco.
A ideia não é produzir o que as pessoas querem, mas sim que as pessoas queiram tudo o que se produz.

Criar necessidades é simples. É só jogar com os mecanismos emocionais.

Zeca no panteão

Este é o meu post mensal relacionado com o noticiário corrente.

A minha opinião é que merece mas não deve.

Não deve porque em vida sempre recusou honrarias e condecorações. O Zeca recusou-as em vida e a família recusou-as em morte. E bem.
Pediu para ser enterrado em campa rasa junto aos seus. E que não fizéssemos luto.

E merece pela dimensão do que era enquanto homem e de génio como músico. Na verdade merecia estar lá duas vezes.

Estou a escrever isto porque vim agora do café, e atrás de mim um miúdo pôs-se cantar: o que faz falta é animar a malta
Isto foi gravado em 1974, já lá vão 44 anos. Em 2062 alguma destas musicas vai ser cantada num café?
https://www.timeout.pt/lisboa/pt/musica/os-melhores-discos-portugueses-de-2017

Até o CDS-PP escolheu umas das suas músicas para a campanha.
Pensavam eles que era música tradicional portuguesa. O Zeca em vida já era uma tradição.
E nenhuma destas duas são das melhores músicas do Zeca.

Deixem-no estar ali a 100 metros do que era a minha janela.
Se lá voltar vou lembrar-me dele. E se não voltar, também.