• 04 Set 2017

    E as vozes embarcam
    num silêncio aflito

    Que amor não me engana
    Com a sua brandura

    Se da antiga chama
    Mal vive a amargura
    Duma mancha negra
    Duma pedra fria

    Que amor não se entrega
    Na noite vazia?

    E as vozes embarcam
    Num silêncio aflito

    Quanto mais se apartam
    Mais se ouve o seu grito

    Muito à flor das águas
    Noite marinheira

    Vem devagarinho
    Para a minha beira
    Em novas coutadas
    Junta de uma hera
    Nascem flores vermelhas
    Pela Primavera
    Assim tu souberas
    Irmã cotovia
    Dizer-me se esperas
    Pelo nascer do dia

  • 06 Set 2017

    Tenho para mim

    que quem inventa uma coisa devia usar o que inventou durante uns tempos

    quem inventou a forca devia ser enforcado diariamente durante um mês ou dois

    quem inventou a forma de ouvir rádio na Vodafone, devia ter que experimentar a coisa pelo menos uma vez

    acho que isto ia resolver muitos problemaas

    como dizem em francês taste his own medecine

    ou como dizia o descartes um homem não é um vaso

    ou o passos coelho birds of a feather flock together

    Tudo mentira.
    quase

  • 06 Set 2017

    Tá tudo parvo?

    Isto tão depressa é pecado diferenciar homens e mulheres (a parvoíce de não poder haver livros para rapazes e raparigas), como é pecado negar que há mais que dois géneros. Porque há os transexuais, os bisexuais, os andrógenos, os indecisos, os asexuais, os não especificados, o terceiro sexo, e sei lá que mais vão inventar.
    Descobri agora que até já se diz que o género é uma experiência subjectiva e gradual, em vez de branco ou preto.

    Mas tá tudo parvo? Que saiba ou se nasce rapaz ou rapariga. Nunca ouvi falar, olhe teve um 70% rapaz, 30% rapariga.
    Não falando nos casos patológicos em que se nasce com órgãos masculinos e femininos. Mas isso acho que é mesmo uma patologia.

    Agora se um gajo quando cresce começa a gostar de gajos, gajas, ovelhas, macacos ou pedregulhos, não faz dele um género diferente. É um gajo na mesma. Que gosta de gajos, gajas, ovelhas, macacos ou pedregulhos.

    Neste momento não gosto nada da “rádio” na televisão da vodafone. Isso cria um género diferente? Desde quando é que os géneros têm a ver com os gostos, a forma de vestir ou as partes do corpo que se corta?
    Géneros há dois. Homem e mulher. Chega de parvoíces e de politicamente correcto.

    Sim, está tudo parvo.
    ou quase

    E que tal em vez disso questionarem sobre o que se habituaram a aceitar.
    Qualquer impresso tem lá uma caixinha “Sexo:”. E já nem se estranha. Mas devia.

    Se for tirar a carta, por que é que precisam de saber se tenho pila ou pipi? os carros são diferentes? O código da estrada muda? Se entrar para a universidade ou me candidatar a um emprego, não devo ter que dizer se sou homem ou mulher.

    Os fundamentalistas que fizeram o berreiro por causa dum livro insignificante, porque não fazem qualquer coisa mais útil, como questionar a escolha de nome em função do sexo?

    Há muita gente que nem tem a chance de chegar uma entrevista, e mostrar o que vale, por se chamar Maria ou Abdulah.

    (lembrei-me do porquê de a rádio na vodafone ser inutilizável. Estou a ver o gajo que fez aquilo a rir-se.
    Ó meu, queres ouvir rádio? Isto é uma televisão tolinho… 😉