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Contar o incontável

As palavras são os corantes e conservantes disto a que, à falta de melhor palavra, chamamos vida.

 

Ao almoço, o facto de ser alto levou-me a não comer arroz de polvo.

 

Já repararam na forma como as calças estão a invadir as pernas das nossas mulheres?
Nossas no sentido carinhoso de quem quer possuir aquilo que gosta.
Possuir não necessariamente no sentido sexual, até porque nunca tentei meter o meu coiso num copo de gin tonic ou numa garrafa de tinto.
Nossas no sentido de cada um com a sua.

A saia rodada não foi inventada por acaso. Fica a meio caminho entre a perna que se vê e a perna que não se vê.

Homens! A saia está em extinção. A união faz a força, juntos na defesa da saia portuguesa!

 

Meio por acaso apanhei-me a fazer o seguinte exercício. Pensar em pormenor no que vou fazer amanhã. Acordar, levantar, duche, sair de casa, pequeno almoço, etc etc. E em que medida isso do que sei que vai ser amanhã altera o meu dia de hoje, e eventualmente o de amanhã.
E uma coisa ressalta, pelo menos no meu caso. É que posso em grande parte antecipar sempre o que vou fazer no dia seguinte. Prever, planear é coisa boa. E faço isso.
Voltando ao ponto que acabei por não escrever neste poste, os momentos únicos não se planeiam.
Olhando para trás, os momentos inesquecíveis que vivi não foram planeados. Tive intenção de ir aqueles sítios ou com aquelas pessoas, mas depois o que aconteceu, aconteceu simplesmente. Tal como podia não ter acontecido, exactamente nos mesmos sítios com as mesmas pessoas.

 

Lurdes Norberto

Hoje sou Sírio

siria

Porque não quero a barbárie que aconteceu ontem, hoje sou Sírio.

A Síria, um país com 18 milhões de habitantes, recebeu 2 milhões de refugiados, quase todos fugidos à guerra do Iraque.

Para se perceber a enormidade disto, a Europa com 750 milhões de habitantes e com as economias mais ricas do mundo, está a construir muros com arame farpado por causa de 200 mil refugiados.

Estima-se que por mês morram na Síria 1000 civis completamente inocentes. 5 milhões de pessoas (1 em cada 3 sírios) viram as suas cidades e casas destruídas e tiveram que fugir.

Não podemos ignorar a barbárie longe de casa, se não queremos que ela mais tarde ou mais cedo nos venha bater à porta. Para o bem e para o mal a globalização está aí.

Na Síria, tal como no Iraque, na Líbia e no Afeganistão a guerra começou e é alimentada por nós, ocidentais. Para trás deixamos o caos, e países onde nenhum de nós toleraria estar quanto mais viver.

Querendo, a guerra da Síria acaba amanhã. Querendo, o ISIS, a Alqaeda e os talibãs nunca teriam a força que têm.

Para que o que aconteceu em Paris nunca mais aconteça temos que querer.
E por isso, pelos parisienses, hoje sou Sírio.

o contabilista que mudou o mundo

Das frases com que acordo, esta terá sido das mais normais. Pensei, porque não há-de um contabilista mudar o mundo?
Na verdade nem sei quem muda o mundo. Reconheço a muitos essa vaidade.
Mas a história está cheia de grandes homens e pequenos feitos.

E nisto lembrei-me dum contabilista que mudou um bocadinho o meu.

fernando pessoa

There is more than meets the eye, as iludências aparudem.

Da próxima vez que passar por um departamento cheio de funcionários invisíveis,
vou pensar nos mundos subterrâneos, nas atlândidas que ali estão.