• 12 Out 2015

    Terceira vez que publico isto, mas não como memória

    No peito uma dor que entope a fala e que a pede. Uma dor inexplicável e insolúvel que brota águas e uivos lancinantes e não pára e nada pára. A dor dos desastres recorrentes. A dor que já não sei se é de ti, se de mim, se de tudo ou de tanto nada. A dor que quero curar e nada cura.

    https://tintanobolso.escritas.org/2010/09/memorias-das-madrugadas-sem-sono

    https://tintanobolso.escritas.org/2012/02/coisas-que-se-diziam-pelas-noites-perdidas-dos-newsgroups

  • 24 Out 2015

    O burro do Damaiense

    1.
    ressuscitar em vida
    é possível?

    2.
    Nunca vi um poste com titulo.
    Com lâmpadas, com carros, com sinais, mas com títulos é a primeira vez

    3.
    Quando se liga, liga-se a alguma coisa.
    E quando se desliga, tem que ser a nada? É tão cruel.

    4.
    Quando vinha para casa tocava isto na rádio

    só se pode ouvir à noite
    e as imagens podiam ser melhores (fazer melhor)

    5.
    Corri risco de vida para tirar estas estas fotos

    há coisas que são melhor feitas olhos nos olhos

    para não falar nas infracções ao código da estrada

    6.
    Continuo a não gostar do termo ‘tirar fotografia’
    mas à falta de melhor lá terá que ser

    7.
    Se há um código da estrada
    porque não há um código do passeio?

    8.
    Odeio chaves
    tenho tantas chaves

    9.
    Nesta batalha homem vs máquina
    viva a irregularidade

    10.

    11.
    Há dias em que me apetece abraçar todas as pessoas com que me cruzo na rua

    mas não abraço

    12.
    Leio: O preço a pagar por ser livre e inteligente é condenar-se à vulgaridade, a não progredir, a não exercer uma crítica com altura e direcção.
    Fiquei a matutar.

    13.
    Há quem diga que o inevitável acontece sempre. Alguns fazem até disso um bonito romance de amor.

    Eu não sei. Ainda estou à espera que um absoluto aconteça.

    14.
    Xarme
    Xerme
    Xirme
    Xorme
    Xurme
    Já sei conjugar a tabuada dos vinte e quatro

    15.
    Receber um email da contabilista
    Aquilo és tu?

    16.
    Sair do facebook

    17.
    O que é ‘és tu’?

    18.
    Lembrei-me agora que estou a dar um baile aos feeds.

    19.
    Anda. Vamos dançar.

    20.
    Meus caros, hoje o mundo é meu.
    Desenrasquem-se.
    Chamem o piquete da EDP. Acendam uma vela. Apaguem o piquete da EDP. Chamem uma vela.

    21.
    Em resumo:
    Divirtam-se com o piquete da EDP e uma vela.

    22.
    Quem não se está a divertir, não anda à vela.
    O piquete anda.

    23.
    Na mesa atrás de mim: Ela vai desenvolver um projecto.
    Mas porque é que ela não acende uma vela?

    24.
    Ou chama o piquete da EDP?

    25.
    Vou mudar o titulo disto.

    26.
    Mas continuando em construção.

    27.
    i meil
    Esquerda moderada, é um bocado como sou claro escuro. Esta malta para ganhar eleições quer ser deus e o diabo. Ser a mudança estável.

    28.
    Falta música

    29.
    Compreendo agora melhor quem diz que temos escolhas a mais

    30.
    Mas não façam your thing em publico

    31.
    A propósito do que mais recente estudo que circula nas noticias (quem esteja a leste é aquela cena das carnes vermelhas)

    A maior causa de cancro que conheço, é viver. A malta que que não vive, normalmente não morre de cancro.

    E no outro dia, li um estudo muito interessante. 100% das pessoas que ocasionalmente consomem vegetais, morrem. Desde aí nunca mais comi legumes!

    As noticias e os estudos divertem-me tanto. É por isso que leio.

    32.
    Sobre o ISBN ser pago
    Sei que me vão bater e com razão. Eu batia. Mas o que me lembrei foi isto: se um antibiótico é pago, se uma consulta é paga, se o leite para uma criança é pago, que se lixe o ISBN!

    Afinal veio-me uma réstia de consciência às mãos, e sim os livros devem ser à borla. A cultura deve ser um direito.

    Mas há coisas que me indignam com uma força que vem muito de dentro, que dói, e há coisas que me indignam só.

    33.
    Há dias em que me dá vontade de chorar, e custa-me não conseguir, como se isso fosse uma espécie de redenção

    34.
    Não há nada a fazer, temos sempre a mania que somos espertos, e que inventamos tudo.
    O celofane é porreiro para enrolar a comida, prático e higiénico. Mas quem o inventou foi o camarão e a gamba.

    35.
    Foi o caminho que se tornou solitário, ou fui eu que me tornei solitário?
    Ou é a mesma coisa?

    36.
    Porque é que o Barry White é preto?
    Porque é de acordo com o google ainda ninguém fez esta pergunta ‘why is barry white black’?
    Ou será que o google censura a coisa como sendo racista?

    37.
    Outra coisa que acho graça. Vê-se com frequência, citar-se coisas antigas de 50 ou 500 anos salientando o facto que são actuais. Exemplo: ‘Que época terrível esta, em que idiotas dirigem cegos’. Frase muito actual dita pelo Shakespeare.
    E os mesmos que dizem isto, continuam a acreditar no progresso, a ponto de nem se questionarem.

    38.
    As facas só cortam quando usadas.

    39.
    Estranho que quando falo não sai voz

    40.
    Quando corro passeio com os sonhos
    Quando paro enfrento os meus medos

    41.
    Calças à boca de sino

    Melvin Taylor – Blue Jeans Blues

    42.
    Quarenta e três
    Muito à frente este ponto. Fica a duvida de como numerar o próximo.
    Mandam as letras ou números?

    59.
    Mandam os pinguins

    60.
    A Portaria nº 383/2015, de 26 de outubro, aprova o novo Modelo 10 do IRS e IRC e as respetivas instruções de preenchimento, destinando-se a dar cumprimento à obrigação declarativa a que se referem a subalínea ii) da alínea c) e a alínea d) do n.º 1 do artigo 119.º do Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRS) e do artigo 128.º do Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas (IRC).

    61.
    No momento do sexo se a mulher está com umas cuecas de renda preta, foi ela que quis.
    Se estiver com as cuecas da avó, foi o homem que quis.

    62.
    Abomino as pessoas que abominam.
    Mereço mais que eu.

    63.
    A minha única obrigação é não ter obrigação nenhuma

    64.
    Estamos construídos para o destaque normal

    65.
    Há que falar de entranhas e de pénis
    mas não sempre

    66.
    Estou morto para fora de mim.
    Desisto.

    67.
    O chato dos ascetas é que morrem como os outros