Estais mortos

Que estranha maneira de estar mortos. Quem quer que seja diria que não o estais.
Mas, na verdade, estais mortos.

Estais mortos, não tendo nunca antes vivido.

Vós sois os cadáveres de uma vida que nunca foi. Triste destino. O não ter sido senão mortos sempre.
O ser folha seca sem ter sido verde jamais.

E contudo, os mortos não são, não podem ser cadáveres de uma vida que ainda não viveram.

César Vallejo (extractos)

1 história de amor dos tempos modernos

Nossa senhora de Fátima encontra um talibã.
Porque viestes até mim, talibã? Foram os seus olhos, Senhora.
E a partir daí em diante nunca mais se separaram.
A ele cresceu-lhe a virgindade e a ela as barbas, chama-se agora Nossa Senhora Talibã.

Isto foi o resultado colectivo dum jantar numa destas noites de verão.
Alguém veio com uma ideia parva, ao que o outro juntou outra e deu nisto.