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Tenho visto imensos CVs recentemente. Tem sido interessante e deprimente.

A riqueza nacional nacional, restritamente medida pelo PIB, depende do trabalho. E sempre achei curioso como o mérito do trabalho sempre foi dado aos patrões e nunca aos trabalhadores.

Se a produtividade baixa a culpa é dos trabalhadores, se o o PIB aumenta deve-se ao dinamismo dos empreendedores.

Não muitos anos atrás a culpa do desemprego era, claro está, dos trabalhadores. Tínhamos mão de obra que não prestava, pouco qualificada. Agora fizeram agulha, e o que precisamos é de flexibilidade. Recebo CVs de pessoas com anos de experiência e de formação dispostos a trabalhar áreas que não têm nada a ver. As tais cabecinhas falantes dizem que é disto que precisamos agora.

E assim lá continuamos a massacrar os trabalhadores, e a premiar o patronato. Lá vai subindo o IRS e descendo o IRC. Porque do que precisamos é de patrões que é a eles que se deve a produção e o trabalho.

Precisamos de empreendedores e não de trabalhadores. E assim acabo de receber o curriculum de alguém que acabou de fazer um “Curso de relações publicas e marcking ‘Empreendedorismo'”.

O trabalhador deve até sentir-se agradecido por lhe darem trabalho, e não o contrário. E é para isso que o desemprego é imprescindível ao capitalismo. Para que o trabalhador seja dispensável. Há sempre mais para o seu lugar. Se o desemprego baixa, vai-se buscar mais à despensa do capital, o terceiro mundo.

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Progresso

1 história de amor dos tempos modernos

Nossa senhora de Fátima encontra um talibã.
Porque viestes até mim, talibã? Foram os seus olhos, Senhora.
E a partir daí em diante nunca mais se separaram.
A ele cresceu-lhe a virgindade e a ela as barbas, chama-se agora Nossa Senhora Talibã.

Isto foi o resultado colectivo dum jantar numa destas noites de verão.
Alguém veio com uma ideia parva, ao que o outro juntou outra e deu nisto.

Estais mortos

Que estranha maneira de estar mortos. Quem quer que seja diria que não o estais.
Mas, na verdade, estais mortos.

Estais mortos, não tendo nunca antes vivido.

Vós sois os cadáveres de uma vida que nunca foi. Triste destino. O não ter sido senão mortos sempre.
O ser folha seca sem ter sido verde jamais.

E contudo, os mortos não são, não podem ser cadáveres de uma vida que ainda não viveram.

César Vallejo (extractos)