• 01 Set 2015

    Recenteza

    Tenho visto imensos CVs recentemente. Tem sido interessante e deprimente.

    A riqueza nacional nacional, restritamente medida pelo PIB, depende do trabalho. E sempre achei curioso como o mérito do trabalho sempre foi dado aos patrões e nunca aos trabalhadores.

    Se a produtividade baixa a culpa é dos trabalhadores, se o o PIB aumenta deve-se ao dinamismo dos empreendedores.

    Não muitos anos atrás a culpa do desemprego era, claro está, dos trabalhadores. Tínhamos mão de obra que não prestava, pouco qualificada. Agora fizeram agulha, e o que precisamos é de flexibilidade. Recebo CVs de pessoas com anos de experiência e de formação dispostos a trabalhar áreas que não têm nada a ver. As tais cabecinhas falantes dizem que é disto que precisamos agora.

    E assim lá continuamos a massacrar os trabalhadores, e a premiar o patronato. Lá vai subindo o IRS e descendo o IRC. Porque do que precisamos é de patrões que é a eles que se deve a produção e o trabalho.

    Precisamos de empreendedores e não de trabalhadores. E assim acabo de receber o curriculum de alguém que acabou de fazer um “Curso de relações publicas e marcking ‘Empreendedorismo'”.

    O trabalhador deve até sentir-se agradecido por lhe darem trabalho, e não o contrário. E é para isso que o desemprego é imprescindível ao capitalismo. Para que o trabalhador seja dispensável. Há sempre mais para o seu lugar. Se o desemprego baixa, vai-se buscar mais à despensa do capital, o terceiro mundo.

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    Progresso

     

     

     

     

     

     

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  • 04 Set 2015

    1 história de amor dos tempos modernos

    Nossa senhora de Fátima encontra um talibã.
    Porque viestes até mim, talibã? Foram os seus olhos, Senhora.
    E a partir daí em diante nunca mais se separaram.
    A ele cresceu-lhe a virgindade e a ela as barbas, chama-se agora Nossa Senhora Talibã.

    Isto foi o resultado colectivo dum jantar numa destas noites de verão.
    Alguém veio com uma ideia parva, ao que o outro juntou outra e deu nisto.

     

     

     

     

     

     

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  • 08 Set 2015

    colorido

    Em tempos fiz um um elogio a um gajo.
    As tuas fotos a preto e branco são como se fossem a branco e preto.
    Ele não percebeu. E eu também não.

     

     

     

     

     

     

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  • 10 Set 2015

    Estais mortos

    Que estranha maneira de estar mortos. Quem quer que seja diria que não o estais.
    Mas, na verdade, estais mortos.

    Estais mortos, não tendo nunca antes vivido.

    Vós sois os cadáveres de uma vida que nunca foi. Triste destino. O não ter sido senão mortos sempre.
    O ser folha seca sem ter sido verde jamais.

    E contudo, os mortos não são, não podem ser cadáveres de uma vida que ainda não viveram.

    César Vallejo (extractos)

     

     

     

     

     

     

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  • 15 Set 2015

    Morrer á nascença

    Por uma questão de facilidade começo as caminhadas pelo último passo.

    Não aprecio caminhadas. Implica um caminho, um princípio e um fim e não conheço nada disso.