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TU

enlouqueces-me maravilhas-me atrapalhas-me apaixonas-me cegas-me confundes-me. Tu inspiras-me.
Tu tu tu tu tu tu tu tu tu tu tu …..

Quero tanto de ti e tão próximo que anseio que fosses o ar, o chão, as paredes, tudo.

Que tudo o que tocasse fossem os teus braços. Que tudo o que sentisse fossem os teus lábios.

Como quando fecho os olhos e tudo o que não vejo és tu. Como quando não durmo e tudo o que sonho és tu.

Contigo não consigo respirar. Sem ti não consigo viver.

Quero estar tão dentro de ti que nem a luz do dia exista para mim. Quero abraçar-te tanto que todo o mundo colapse e desapareça num pequeno ponto entre os meus braços.

Toca-me com as tuas mãos. Faz-me desaparecer com a tua pele. Sufoca-me na tua língua. Arrasta-me pelo ar com o teu perfume. Mata-me de vez.

Odeio-te porque existes. Odeio-te porque não estás aqui. Amo-te tanto.

De repente tomo consciência da tua ausência e faz-se noite. Porque não me respondes quando te falo? Porque não te sinto quando estendo o braço? Porque te escondes?

TU
se fosses chuva, do céu só cairiam pérolas … E até o chão gritaria de prazer

Estou farto

Estou FartoEstou farto
desta ausência entre lençóis
do sono que há
no pesadelo que me sou
não levo veias nem vinho nem deus
só as unhas dentro dos bolsos
e o lugar do salgueiro

Ser mais terra que nunca
pedra de calçada com pés por cima
ter um buraco na sola
e haver mijo no chão
tenho nojo das manhãs
húmidas e solenes

Quando da noite me faço homem
a manhã da noite se faz dia
e eu não caibo nos restos
da noite que sobrou

Parto
e não há aqueduto que eleve
as águas que correm baixinho
como se fora choro de erva.

Pequenas coisas que me vão passando pela cabeça

No outro dia uma educadora de infância parou o carro no meio da ponte, saiu, chegou-se à amurada e saltou. Segundo parece causou engarrafamentos monstros. Não é preciso muito para atrapalhar o trânsito. Basta um carro parado.

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Morri quinta-feira ao fim da tarde
a autópsia foi clara
causa da morte: saudades tuas

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Renasci junto a um oceano branco
levado por dois braços de mar salgado

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Não, não quero ser livre
quero ser cativo de amores
preso a paixões e tormentas tamanhas
Não, não quero ter ideias
só a paz de ver o mar
e as coisas mudas a sorrir para mim

Não, não quero ser contente
quero a raiva de todo o mal

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A vida é uma coisa engraçada que rola na minha mão.  Das vezes que a consigo ver de fora é giro olhar para as coisas. E tudo parece estranhamente igual. O que é que eu tenho a ver com tudo isto? As pessoas movem-se de um lado para outro, fazem coisas, mexem-se como se movidas por uma necessidade necessária. Para que o mundo não pare e continue a girar como antes. Quando a única finalidade que faz sentido é sermos felizes. Quantas destas necessidades necessárias nos fazem felizes?
Fecho os olhos. Devo representar a farsa de uma máquina, não porque acredite no que faz a máquina, mas porque a rosca não pode viver sem um parafuso.

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Era interessante saber a largura dos dias
e sabermos com antecedência se cabemos neles
para não ficarmos com os pés de fora

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Preciso de uma droga que me reduza a pena. A vida é-me demasiado grande. E os meus pés tão pequenos. Os olhos vazios.
Ou eu me levantei ou o mundo encolheu. Estou a bater com a cabeça no tecto do mundo.

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Sou normal,
na maioria que sou em mim
estou perfeitamente na média

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Pássaros surdos loucos
De amor encantados

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Alguém escreveu sobre a mágica tarefa de viver, a mim ocorre a vã tarefa de viver

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O corpo estava acompanhado. Mas ninguém se sente só com o corpo.

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Alguém me perguntava com admiração. A beleza agride-te.
Sim. A beleza deve ser violenta.

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Pensamentos dum ouvido ao redor duma laranjeira

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Hóstia babada de ranho
Cona ungida de pano

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Aos céus sobe a espada que nos mata
e ficamos a vê-la subir ao alto
tão do chão
tão lentamente

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O erasmo era feio e tinha mau gosto para chapéus.