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Quando era puto, um gajo dizia: épá já ouviste o álbum xpto daqueles fulanos? É muita bom, pá. O outro cravava o disco e ia ouvir. Isto acontecia de vez em quando. Que saiba nunca ninguém se preocupou em dar nome a isto.

Agora partilha-se. Toda a gente está cheia de coisas e de vontade de as partilhar com toda a gente. E no entanto, pelo contrário, partilha-se cada vez menos. Porque espetar uma coisa no facebook e chamar-lhe partilha, não é partilhar.

Deita-se abaixo um jardim e no seu lugar constrói-se um prédio. Na fachada do prédio pinta-se um jardim. Pois… não é um jardim.
O antónimo de virtual é real. Quem pense o contrário transforma o virtual em ilusão.

Partilhar é comer do mesmo pão. Para isso é preciso estar ali, naquela hora, naquele lugar, a comer o pão.

Comer o meu pedaço de pão e deixar o resto em cima da mesa, não é partilhar.
Mesmo que alguém passe e mordisque um bocado. E o mais provável é que atirem o resto do pão para o lixo.

Partilhar é beber do mesmo copo, mas sem ser lavado pelo meio. Partilhar é comunhão, é chamar-te para viver um bocado da minha vida.

Pôr a fotografia do copo numa parede há-de ter outro nome qualquer.

precisa-se de deus (ou de musa)

Ia na rua quando, de repente, disse em voz alta ‘quarenta e oito mil trezentos e vinte e sete”.

Não sei porquê nem o que significa. Só me apercebi do que fiz quando acabei de falar.
Foi como se alguém tivesse falado através de mim. Seria o diabo?

Se fosse deus ou uma musa deveria ter saído algo que se aproveitasse, tipo uma predição ou uma poesia, e não 48327.