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Melão

Enquanto esperava pelo melão, cheguei a uma conclusão.
Rima, deve ser verdade.

Tenho que me livrar desta ânsia da utilidade, que as coisas têm que servir para alguma coisa, senão não servem para nada.
A subtileza que muitas vezes me lixa é a noção que uma coisa é tanto mais útil quanto mais durar, ou a mais pessoas chegar. Um gajo conhecido chega a muita gente, é importante. Escrever aqui é insignificante.

Ninguém se sente bem com a insignificância. Ora, é impossível todos chegarmos a todos. E é por muitos tentarem, que somos hoje em dia soterrados com mais e mais coisas. Noticias, musicas, escritos, filmes, tudo. Somos bombardeados com mais coisas do que jamais seremos capazes de absorver.

Podemos entrar nesta luta insana para chegar a mais e mais pessoas. Que isso nos trará satisfação e essa coisa indefinível: felicidade.
Ou então, conseguir enfiar na cabeça que essa tal felicidade não é coisa que se meça. E obtê-la das pequenas coisas sem importância e que não significam nada.

Há uma terceira via. São aqueles momentos em que todo o mundo é uma pessoa.
E ser importante para essa pessoa é melhor do que tudo o que se possa desejar.
É por isso que a vida sem amor é difícil demais para merecer ser vivida.

E a culpa disto tudo é do melão.

Hoje saiu um álbum daqueles gajos muitas bons, e a fulana vai aparecer no filme dele, e acho muito mal que estejam a fazer aquilo assim, e se não fosse estar como estou nem queria saber nada disso. E acontecer aquilo assim de repente é chato, porque não pode ser que haja gajos que andam para aí com coisas do género e tal e coiso, mas depois vai-se a ver e não dizem nem fazem nada!

Desassossego 433

Passei entre eles estrangeiro porém nenhum viu que eu o era. Vivi entre eles espião, e ninguém, nem eu, suspeitou que eu o fosse. Assim igual aos outros sem semelhança, irmão de todos sem ser da família.

Meus passos eram como os deles nos soalhos e nas lajes, o meu coração estava longe, ainda que batesse perto.

Viram-me passar na rua como se eu lá estivesse; mas quem sou não esteve nunca naquelas salas. Quem me conhece não tem ruas por onde passe.

Vivemos todos longínquos e anónimos; disfarçados, sofremos desconhecidos. A uns, porém, esta distância entre um ser e ele mesmo nunca se revela; para outros é de vez em quando iluminada, de horror ou de mágoa por um relâmpago sem limites; mas para outros ainda é essa a constância e quotidianidade da vida.

Até que ponto somos ridículos ou How ridiculous are we?

O querer ser único e querer partilhar.

Sou só eu a achar que a gota não bate com a perdigota?

Neste momento estou a ouvir uma música que me está a rasgar todo. Partilhar o quê? Se não fosse das piores músicas do palma, diria deixem-me rir.

O mais giro é que quando abri o post, e comecei a escrever ia dizer uma coisa completamente… nem acabo porque não sei o que ia acabar.

Fazer sentido é uma ilusão.