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Dedicado a Boubacar Bah

Boubacar Bah, um português naturalizado da Guiné-Conacri, morreu numa prisão privada nos EUA. Sabe-se que bateu com a cabeça no chão, em circunstâncias pouco claras.

Quando recuperou a consciência foi levado para o departamento médico. Boubacar estava agitado e incoerente. Este é um sintoma claro de hemorragias intra-cranianas. Foi algemado e acorrentado ao chão para “evitar que se magoasse mais”. No chão Boubacar começou a gritar numa língua estrangeira. Apesar de lhe ordenarem que se acalmasse, manteve-se agitado e começou a vomitar no chão.

Por desobedecer a ordens, foi levado agrilhoado para uma cela de isolamento. Quando o largaram na cela, caiu e bateu novamente com a cabeça na cabeceira da cama.
Às 9 da manhã fecharam a cela. Nas verificações feitas pelos guardas, Boubacar parecia adormecido e espumava da boca.
Finalmente às 10:30 da noite, perante um homem imóvel e deitado na sua própria urina, com vómito acastanhado à volta da boca, Boubacar foi levado novamente para o centro médico.

As radiografias mostraram o crânio fracturado, hemorragias internas em todos os lados do cérebro inchado. Ficou quatro meses em coma e finalmente morreu.

Versão oficial: Morreu a 30 de Maio de 2007 na sequência de uma crise cardíaca.

AVIS DE DECES
Le Bureau exécutif de la GCA, les familles Bah, Barry et Diallo allies et amis ont la profonde douleur d’annoncer le décès de feu Boubacar Bah.

Détenu pendant 9 mois par les services d’Immigration des USA, par manque de document légaux, notre compatriote feu Boubacar bah s’est éteint à UMD hôpital, New Jersey à la suite d’une crise cardiaque, le 30 Mai, 2007.
Né à Gonkou Labé, le 1er Janvier 1955, fils de Mamadou Bailo Bah et Fatimatou Barry, feu Boubacar Bah est Marie et père de 3 enfants. En ces tristes moments que vit la famille de notre concitoyen, toute la communauté guinéenne, amis et sympathisants présentent leurs condoléances les plus émues et prie Allah de lui accorder le Paradis. Que son âme repose en paix, Amen.

As tretas que me passam pela cabeça numa terça-feira porque não tenho nada de melhor para fazer

As reportagens, as “coberturas” são uma treta. A gente hoje vê os filmes sobre o woodstock e construimos uma imagem baseados em algo que alguém construiu para nós.
A única maneira de saber como de facto foi, é estar lá. Com a vantagem de sentir em vez de ver.

Lembro-me de estar num festival e passar uma equipa de reportagem à procura do folclore. Por mim, que sou um gajo mais ou menos normal sem tatuagens nas orelhas nem piercings nas unhas dos pés, passaram a voar.

Como se capta o “espírito” de um acontecimento? Não faço ideia. Talvez noutra altura faça. Agora não.

As tretas que me passam pela cabeça numa quinta-feira porque não tenho nada de melhor para fazer (ou reflexões sobre o meu umbigo)

Ando neste blogue há mais de seis meses. É menos do que muito e mais do que pouco.

E passado este tempo todo ainda não sei que lhe faça. Era bom que fosse uma coisa que me serene. Ou então que seja algo que me excite. Ou ambos ao mesmo tempo.

Não sei se quero que muita gente leia esta merda. Que interesse tem ser visto por quem só aqui vem para que o vejam? A resposta é clara. Depende dos dias, das luas, das reacções químicas ou lá o que é que influencia a forma como os sentimentos se formam dentro do crânio. (onde são, onde estão?)

De repente lembrei-me do post do outro dia, e resolvi pôr titulo no que era para ficar sem titulo.

Sei que que estou a estragar o “conceito” inicial do blogue, que se pretendia uma cena coerente, as letras e imagens a saltarem do fundo negro. Uma cena meio poética tipo com bom gosto. Que se foda a poesia e o bom gosto.