Abr 22

tenho como adquirido que temos dificuldade de pensar em termos absolutos,
vemos tudo em contexto, nada vale por si, mas sim por ser pior ou melhor que outra coisa

é um truque que se usa, se algo parece mau, pensa-se em algo pior
e a coisa, sendo a mesma, torna-se melhor

mas isto tem um lado pernicioso,
o pico que se ambiciona, é fugaz.
e depois do pico tudo parece menor, e gera insatisfação

natural que o homem seja por natureza insatisfeito e inquieto

e isto liga-se de alguma forma a algo que li ontem
só se perde aquilo que se agarra

e do mesmo modo como quero aprender a ver pelo valor das coisas em si, quero aprender a deixar ir
tudo vai e vem, isso da posse não existe,
não somos donos de nada, só pensamos que somos

e cito:
‘Apenas nos iludimos, pensando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Nao perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre.’

2 thoughts on “”

  1. A tomada de consciência de que não somos nada de nada, a não ser deste momento exato, torna-se bastante libertador.

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