Não há aulas de argumentação, de debate, de pensamento critico.
Hoje ouvi isto.

Vendo como nas redes sociais se oscila entre o cumprimento vegetativo e o insulto, talvez não seja preciso que nas escolas se aprenda a argumentar e debater sobre um assunto.

Pensamento critico, esse tenho mesmo a certeza que não vai ser preciso. Os governos já estão a tratar de nos proteger do que é falso e errado, eliminando tudo isso das televisões e internet. Vida muito mais fácil, rodeados só pelo que é verdade e certo.

As sociedades são como as cidades. Não são planeadas, acontecem.

Fala-se com alguma frequência no impacto que os tiktoks, reels, etc têm na capacidade cognitiva e no comportamento.
A habituação a uma sucessão de tópicos que em ritmo acelerado não dura mais que segundos, reduz a disposição para assistir ao que tenha duração mais longa ou ritmo mais lento.
E em cinco segundos é muito difícil não ficar pela superficialidade.

O trabalho, tal como a escola, cria relações sociais. Nos almoços, nos corredores, no copo que se vai beber depois de sair do trabalho.
Alguém consegue prever o impacto que o trabalho remoto vai ter nas relações sociais?

Do rio que tudo arrasta se diz que é violento, mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem

Táctica simples e eficaz. Pica-se um cão, durante dias ou anos, o tempo que for preciso. De cada vez que é picado, ele ladra e esperneia. Chega um dia em que morde e é mandado para abate, como cão perigoso que é. Vê-se esta táctica aplicada todos os dias, por todo o mundo.

O que não sabia é que também eu fui manipulado e enganado sobre o que se passou no 25 de Novembro. Pensava que era uma variante disto que se ensina nas escolas, que as forças ‘moderadas’ resistiram e venceram um golpe de estado dos radicais da extrema esquerda.

https://ensina.rtp.pt/artigo/25-de-novembro-uma-tentativa-de-golpe-falhada/

O que não sabia:
Que havia um plano bem definido do grupo dos nove e do PS para fazer uma limpeza das forças armadas e assumir a supremacia militar. O plano era concreto, quem fazia o quê, que apoios havia incluindo do estrangeiro. Até o pormenor de no dia da execução se transferir o ouro do Banco de Portugal para o Norte.

Poucos dias antes do 25 de Novembro Morais e Silva passa à disponibilidade os soldados para-quedistas (equivale a despedimento), manda os oficiais regressar ás unidades de origem com os vencimentos congelados e manda cortar-lhes o fornecimento de alimentos e o abastecimento de água, e de electricidade.

Seguidamente Otelo Saraiva de Carvalho é destituido de de Comandante da Região Militar de Lisboa e substituido por Vasco Lourenço.

Os paraquedistas revoltam-se e num comunicado que é lido na televisão e exigem a destituição de Morais e Silva.

As forças “moderadas” desencadeiam o plano que já estava estabelecido para mandar abater o cão. Prisão dos militares indesejáveis. Extinção do Copcon. Substituição da administração dos jornais e da ANOP (agência noticiosa). E o resto é história.

Tal como a guerra colonial foi o rastilho para o 25 de Abril, a extinção do regimento de para-quedistas foi o rastilho da revolta dos para-quedistas no 25 de Novembro. Mas esse é um ‘pormenor’ que não se ensina nos livros de escola. Tal como não se diz que havia um plano feito antes a contar com o fogo desse rastilho.

Como disse o presidente da Republica da altura: “Normalmente as reivindicações das massas são coisas simples. O povo português, é pacífico, não pode é ser excitado, porque é muito manipulável. Eu sabia que os manifestantes não actuariam violentamente, a não ser que fossem provocados.”

http://www1.ci.uc.pt/cd25a/wikka.php?wakka=th10

https://pt.wikipedia.org/wiki/Crise_de_25_de_Novembro_de_1975#An%C3%A1lise_hist%C3%B3rica

http://www.cd25a.uc.pt/index.php?r=site/page&view=itempage&p=977

https://expresso.pt/politica/2019-11-24-Toda-a-historia-do-25-de-Novembro-a-dramatica-aventura-que-ditou-o-fim-da-Revolucao-1