Votar com dinheiro

Coisas que me parecem absurdas sendo normais.

As empresas não podem votar. A teoria diz que as pessoas é que escolhem os governos, e o voto de um rico vale o mesmo que o voto de um pobre.

Os partidos com mais dinheiro podem fazer mais publicidade e aparecer mais nos outdoors, jornais e televisão. Organizar um comício custa dinheiro, palcos, som, seguros e sei lá que mais. É sabido que os grandes partidos pagam “excursões” à malta da província para virem passear ás capitais, desde que marquem presença no comício. Tudo isso custa dinheiro.

Então porque é permitido ás empresas darem dinheiro aos partidos de que gostam? Ninguém vota em partidos pequenos (que aparecem pouco) por causa do voto útil (outra parvoíce).

Dar uns milhões de euros a um partido é muito mais importante que votar nele.

E se o estado desse uns milhões de euros de subsidio aos filhos de pais ricos, e nada aos filhos de pobres?
Se isso está mal, porque raio está bem no caso dos partidos?
Os partidos grandes e cheios de massa recebem subsídios do estado (nós).
Os pequenos têm por missão continuarem pequenos, obrigado.


2 Comentários

  • Isabel Pires

    Não sei se isto é um bocado ao lado, mas digo na mesma.

    O voto de um rico, e até mais um voto de quem tem “poder” (entre aspas porque prefiro pensar o poder noutra dimensão), vale mais, ainda que indirectamente, porque compra pessoas e respectivos votos. Também é por alimentar essa dinâmica que se mantém no poder.
    Os que se deixam comprar dividem-se em dois grupos: os mais desfavorecidos e desesperados por pagar as contas, e alguns destes sem terem consciência de serem engolidos; e os que não estão nessa situação de limiar, mas não querem esforçar-se por conseguir vingar ou atingir um patamar melhor sem darem cabo da liberdade. (A liberdade é um conceito frágil quando pensamos na sua aplicação no concreto. Aqui quero referir-me à perda significativa de autonomia por via de amarras com efeito de bola-de-neve e com muitos tentáculos. Este tipo de “favores” podem saber bem no curto prazo, mas raramente não se viram contra quem os aceitou; basta o jogo virar.)

    • Luis

      Nas conversas não há ao lado, há a partir de. As conversas boas são como as cerejas.

      Desde que se nasce, que é tudo uma questão de comprar, vender e trocar. Engana-se quem pense que não, ou que há excepções.

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