Diários de deuses por onde não passam segundos

Que terei andado a sonhar para acordar com esta frase na cabeça?


9 Comentários

  • Isabel Pires

    Podiam ser sonhos semelhantes aos que tive há uns quatro anos, que foram os últimos que tive a dormir dos quais me lembro. Digo assim porque já li que sonhamos todas as noites, ou sempre que dormimos, porque faz parte de uma fase do sono. No meu caso é muito raro lembrar-me dos sonhos.

    Esses sonhos de há quatro anos aconteceram a seguir a ter capotado o carro. Estreei-me em acidentes de automóvel logo com uma coisa muito aparatosa. Deu três voltas, parou virado ao contrário e em condições de ser abatido, que foi o seu destino. É muito estranho assistir àquelas piruetas e ficar ao contrário, amarrada por um cinto, com as cortinas dos airbags soltas e na altura não ocorrer do que se trata e pensar ‘mas estes trapos não estavam aqui’ 🙂 Mas o instinto de sobrevivência é sempre mais forte, daí ter conseguido sair por um buraco do vidro lateral. Percebi que nem havia um único arranhão.

    Tive de passar por aquelas conversas e avaliações com a polícia e o inem. Uma das coisas que me preveniram foi que aquilo não terminava ali, que durante bastante tempo iria acontecer lembrar-me, até por situações aparentemente não relacionadas e que seria natural ter sonhos desagradáveis ou pesadelos. Naquela altura pensei que estavam a exagerar e disse para mim ‘fraquitos (o médico contou-me que também já tinha capotado); comigo não vai ser… então é tão bom ter saído disto impecável.’

    Julgo que os pesadelos aconteceram logo à segunda noite. E durante algumas semanas a fraquita acordou com as pernas doridas de tanta força que fazia durante esses sonhos.

    Os deuses, que para mim é algo muito muito distante da coisa mística, não descansaram segundos para que eu pudesse contar a história!

    • Luis

      E se do lado do sonho tivermos uma vida igual a esta, em que não nos lembramos de nada do que fazemos enquanto “acordados”?

      • Isabel Pires

        Provavelmente os sonhos seriam mais fantásticos. Não no sentido de melhores, mas sim de mais surpreendentes.
        E aí sim, se me lembrasse deles, dariam com certeza muitas histórias para contar. Esta é a parte que me interessa mais dos sonhos a dormir, a utilidade que lhes daria.

        Porque talvez já nos tenhamos questionado como sonham os cegos, deixo o seguinte pedaço:

        “Normalmente os cegos de nascimento, ou os que perderam a vista com pouca idade, não sonham com imagens, mas nos seus sonhos podem falar, escutar, sentir, cheirar, saborear, etc. Os cegos que perderam a visão com mais idade, possuem imagens nos seus sonhos, mas estas podem ir diminuindo com o tempo, e mesmo desaparecerem por completo. Geralmente, os cegos que perderam a vista já adultos, podem sonhar alguns dias com imagens, outros sem elas.”

  • Inconfessável

    Fui ouvir a Melanie Safka, que mulher poderosa. Durante a minha vida, houve músicas que me acompanharam, diariamente, em períodos mais negros e que sabia de cor. O Birthay of the Sun e o Rien de Rien, fizream parte do ano de 74, pária da família e de muitos amigos.
    O deuses pararam durante alguns meses, para eles, nem o segundo do acender de um fósforo.

    • Luis

      Não sei se ela é poderosa que não a conheço 🙂 mas a quando canta é!
      O Birthday of the sun é um dos meus companheiros de viagem o rien de rien pelo mennos na voz dela não conheço, e tentei rapidamente descobrir sem grande sucesso. Lá voltarei

      Gostei de te ver por aqui, por motivos egoístas também :), mas principalmente se isso for sinal de bonança

  • Isabel Pires

    Ah, e esqueci-me de dizer que tenho pena de não me lembrar dos sonhos que tenho a dormir.
    Se não fosse assim desmemoriada dos sonhos, talvez apanhasse mais histórias para contar, sobretudo para escrever.

    • Luis

      Engraçado que é sabido que o desconhecido assusta. É preciso coragem para entrar num quarto ou navegar em mares nunca antes navegados.

      E entrar em sonhos que não conhece?

      • Isabel Pires

        O futuro, a vida que há para viver, também é desconhecida. Se assusta? Julgo que são menos as vezes que assusta, caso contrário ficaríamos bloqueados e não queríamos mais.
        O medo também pode promover a fuga para a frente, ainda que essa fuga esteja envolta em protecção, que costumamos designar por cautela.

        Não sei se a maior parte das pessoas pode afirmar que em termos gerais tem a vida que projectou… Julgo que não.
        Se assim for, trilhámos e trilhamos muito mais desconhecido do que supúnhamos, e queimamos etapas sucessivas de desconhecido-medo. Não será isto similar a entrar em sonhos que não se conhece?

        Mudando de registo, deixo um poema do Nuno Júdice, que hoje reli e me fez lembrar este post sobre os sonhos:

        Distância

        Entro no teu quarto como se
        entrasse no mar. Um temporal de perguntas
        enrola os teus cabelos. Lanças-te
        contra as ondas de um sonho antigo,
        e abres a porta da varanda
        para te sentares à cadeira
        do oriente, apanhando o vento
        da tarde. “Não te levantes, digo,
        e deixe que os teus olhos se libertem
        de sombra, depois de uma noite
        de amor, para me abrigarem
        da luz estéril da madrugada”. Mudas
        de posição, como se me tivesses
        ouvido; e o teu corpo enche-se
        de palavras, como se fosses
        a taça da estrofe.

        in, “A pura inscrição do amor”, Janeiro 2018

  • Luis

    Desta história que se fala do facebook, o mais importante é o que não se fala,
    Diz o gajo da dynamics a vender a manipulação das pessoas
    O que as move é a esperança e o medo
    E tem razão

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