Desatino com virgulas e acentos, ha quem me ataque por isso

Devo fazer-lhes um favor e ofender-me?


9 Comentários

  • Isabel Pires

    Tem vindo a assistir-se a bastante flexibilidade na pontuação, mesmo na considerada boa escrita, e vejo isso como um bem. Sobretudo no uso nas vírgulas. É que muitas delas têm que ver com o ritmo de cada um, quase como uma respiração. Às vezes até está associado à cadência do momento.
    Claro que algumas vírgulas são necessárias para a boa compreensão do que se pretende transmitir e essas normalmente não se deixam escapar.
    Com o ponto e vírgula também não existem regras muito rígidas. Em várias situações opta-se por utilizar pontos finais, dando outra arrumação.

    Com os acentos já não é assim. Trata-se de regras de ortografia (algumas vezes também definem a compreensão do texto) e não com a tal cadência de cada um.
    Um exemplo em que o acento muda o sentido do texto: “Falamos / falámos sobre isso e outros assuntos”.

    Confesso que me esforço por escrever bem, o que julgo vir muito da valorização que era dada à ortografia e à sintaxe na altura que aprendi. Mas também é um gosto e uma forma que uso para me disciplinar. A escrita bem alinhada ajuda a disciplinar o pensamento, e vice-versa. (Daí muita da força da palavra escrita. O que é dito e não escrito, não é tão “verdade”, nem para quem diz nem para os outros.)
    Mas às vezes também me esforço por não usar uma escrita tão séria ou por usar um modo mais ligeiro. É que passar certas marcas no cuidado com a escrita também pode ser interpretado como distanciamento.

    Gosto muito que me alertem para os erros, o que tomo como atenção por parte dos outros e é uma oportunidade de aprender. Prefiro que o façam discretamente ou que o façam em privado. É também assim que costumo proceder, mesmo quando me parece que é um daqueles erros valentes.

    • Isabel Pires

      Os trabalhos que tive até agora também me impuseram e impõem cuidado na expressão escrita. Tanto no que é para consumo interno como no que vai para o público. Há uns anos estive em serviços que tinham uma vertente de publicidade e de promoção, com produção amiúde de notas de imprensa, folhetos, cartazes, brochuras. Isto também me obrigou a estar mais atenta à linguagem e a desenvolver a revisão de texto.
      Sempre interpretei este cuidado como uma forma de respeito para com os outros.
      Como público também me agrada encontrar notícias, folhetos, etc., sem erros e nos quais se nota que quem produziu aquele material esteve atento, preocupou-se, usou de algum tempo para compor a mensagem.
      Não tenho memória de ter dado erros graves nesses trabalhos, mas recordo-me de ficar aborrecida quando uma vez ou outra dei com uma frase que poderia estar melhor e já não haver nada a fazer porque já estava impresso
      Isto não significa que considero que sou muito boa nesta parte, mas sim que a valorizo e que tenho pena de não ser melhor na arte da escrita.

      • Luis

        Luis

        As gramáticas, ortografias e tudo isso, não existem.
        São invenções.

  • Inconfessável

    Oh! O Saramago no ‘memorial do convento’ não tinha quase pontuação e eo livro estava primorosamente escrito

    • Isabel Pires

      “No mês passado, a propósito das longas e variadas comemorações dos vinte anos da entrega do Prémio Nobel da Literatura a José Saramago, contaram-me uma história deliciosa. Tendo-se Saramago tornado muito mais conhecido em todo o mundo depois de receber o galardão, o que é natural, acordou, pelos vistos, o desejo de ser lido por muitos emigrantes portugueses em vários países, subitamente orgulhosos de verem um seu conterrâneo assim distinguido. Um desses emigrantes, vindo de férias a Portugal, lá comprou antes de regressar ao país de adopção um exemplar de um dos romances do escritor. Porém, pouco depois de iniciar a leitura, sentiu-se defraudado e, pondo o pé em terra, enviou imediatamente à editora uma reclamação. Dizia que o exemplar que lhe coubera em sorte era ilegível porque a pontuação estava toda errada e era frequentemente omissa; e que de certeza muitos outros leitores já tinham dado pela calamidade, pelo que por certo a editora tinha maneira de substituir os exemplares defeituosos por outros que tivessem as vírgulas no sítio. Afinal, o leitor não tinha culpa nenhuma do sucedido e, não tencionando voltar a Portugal antes do mês de Agosto do ano seguinte, era mais do que justo que lhe enviassem por correio, sem custos, um exemplar «legível»…”

      Maria do Rosário Pedreira, no blogue “horas extraordinárias”

      🙂

  • Maria Papoila

    Gosto muito das virgulas da vida, fazem toda a diferença 😉😘

    • Maria Papoila

      O meu telemóvel nem sempre respeita as regras da ortografia, o malandro!

      • Luis

        Luis

        Escrever o que se pensa no telemóvel é como correr a maratona em cima de andas de 10 metros, frustrante.
        Eu já desisti. Não me parece que tenha perdido grande coisa com isso. Confesso que por vezes me passam coisas pela cabeça que no momento me parecem grandiosas e dignas de registo, mas isso passa.
        Se as tivesses escrito todas, a única diferença é que teria mais coisas escritas, mais nada.

    • Luis

      Luis

      Gostei dessa 😀

      Os pontos finais são um bocadito mais chatos, mas fazem parte do texto.

Deixe um comentário