• 31 Ago 2006

    Num programa de rádio

    perguntava uma senhora o que poderia fazer para deixar de fumar sem lhe custar, sem ter dificuldades. Resposta do senhor do estúdio: milagres não há.

    Assaltou-me que esta pergunta é tipica. Instalou-se o culto do prazer preguiçoso. Queremos mundos e fundos sem fazer nada por isso. Todos exigem mas ninguém luta.

    Queremos ficar ricos mas sem muito esforço. E viva o Euromilhões. A sorte e o estado que olhem por nós. Estar em forma sem ter que suar. Ser culto sem ter que ler aqueles livros muito pouco divertidos.

    Meus senhores, o céu conquista-se.

     



  • 25 Ago 2006

    E vergonha, não há?

    Há.

    Regressado de férias, tento ver o que há de novo pelas nossas bandas. Perdido numa página interior do DN encontro uma pequena nota. As admissões da Administração Pública vão deixar de ser publicadas no Diário da República. Ou seja, vai deixar de ser possível saber quem é contratado pelo Estado. Prova que os nossos “governantes” têm vergonha quando contratam a peso de ouro os amigos e os enteados.

    E a pequenez do artigo do DN prova que têm vergonha de ter vergonha. O facto de ninguém querer saber, prova que não é só o artigo que é pequeno.

     



  • 12 Jul 2006

    Para ser justo

    Os que são apanhados a roubar o estado em milhões de euros por vias fraudalentas, devolvem o que roubaram e vão em paz.

    Lembram-se por exemplo do caso das facturas falsas que envolvia grandes empresas? Quando a noticia saiu nos jornais, pagaram os impostos e pronto, nem acusados foram.
    Volta e meia ouve-se casos desses, fulano de tal apanhado a fugir ao fisco, paga e fica tudo bem.

    Acho que quem fosse apanhado com uma TV roubada às costas, devia poder devolver o televisor e ir em paz.

     



  • 10 Jul 2006

    Mais coisas que estranho…

    De vez em quando passam uns filmes na televisão com os gajos da resistência francesa. Uns heróis. Os gajos que perante a invasão do seu país por tropas estrangeiras, se revoltam com risco da própria vida. Nunca vi chamarem-lhes terroristas ou numa versão mais soft, insurgentes. Palavra inventada pelos americanos e que todos os media muito obdientemente copiaram.

    Sempre pensei que em tempo de guerra só fosse “crime” matar civis. E que revoltar-se contra tropas estrangeiras que nos invadem fosse pelo menos “compreensivel”.

    Em 2002 numa batalha no Afeganistão em que o seu pai morreu e o irmão mais novo ficou paralizado, Omar Khadr é acusado pelos EUA de ter lançado uma granada que matou um soldado americano.

    Omar Khadr tinha 15 anos. Está desde então preso em Guantanamo indefenidamente. Deve ter agora 19 anos.

    Pergunta: se um moço de 15 anos está lixado por ter morto um soldado que invadiu o seu país, o que aconteceu ao soldado que matou o pai dele?

    O segredo? Estar do lado dos bons, leia-se poderosos.

     



  • 10 Jul 2006

    Contas

    Ao contrário de outras guerras anteriores, os EUA não dão informações sobre os ataques aéreos que fazem. Tudo o que sabemos são pedaços que se escapam pelas frestas. Sabe-se (Courier International) que no pico da batalha pela reconquista de Fallujah os EUA lançaram 500.000 toneladas de bombas sobre a cidade.

    Antes da guerra começar Fallujah tinha 500.000 habitantes, agora terá 250 a 300 mil
    Os EUA passam a vida a falar das bombas de “precisão” que matam os “insurgentes” e minimizam os mortos civis.

    Sou só eu que acha isso inconsistente com o facto de se lançar num curto espaço de tempo 1 a 2 toneladas de bombas por cada habitante?

     



  • 10 Jul 2006

    Hipotenusa

    Um grupo armado de portugueses rapta um soldado espanhol. Espanha em retaliação invade Portugal e prende os ministros portugueses.

    Um ministro português em viagem a Madrid é mandado parar na fronteira para ser revistado e despido.

    Espanha, não contente com o resultado das eleições em Portugal desvia em conivência com a banca e instituições financeiras, práticamente todas as receitas do governo português.

    Na Palestina não é hipótese, é realidade.

     



  • 12 Jun 2006

    Periodicamente fico farto

    Farto da cnn e da tsf. Farto de um mundo onde os bons da fita matam torturam e violam.

    As palavras sabem-me a pouco. Façam-me um favor.

    Levantem-se da cadeira onde estão e na parede mais próxima, batam com a cabeça até que escorra sangue.
    A tortura praticada pelos bons nas prisões secretas dos países “amigos” é mil vezes pior.

    Peguem numa pistola e matem o vosso filho, o vosso irmão ou a pessoa que por acaso está ao vosso lado. Assim já sabem o que é viver no Afeganistão, no Iraque ou na Palestina.

    O engraçado é que não é disto que estou cansado. Estou farto dum mundo onde me canso. Estou cansado.

     



  • 31 Mai 2006

    Voltas à volta das cuecas

    Aqui há dias vi na primeira página de um jornal “O mundo inteiro já viu as cuecas de Letizia. Veja você também!”

    Pensei com os meus botões: mais um marco no jornalismo portugês. Incansáveis, procuram sempre formas de atingir níveis de profissionalismo e de audiências nunca antes alcançados. Cada dia tenho mais vontade de comprar jornais. Lembrei-me dos tempos em que o “Crime” era um jornal marginalizado porque só publicava noticias da mulher que batia no marido, do fulano que matou à facada o sogro, esse tipo de coisas. O resto dos jornais falavam de politica, de guerras, das cenas que lixam ou matam milhares e não só a mariazinha da esquina.

    Agora ao propor-me escrever este pequeno devaneio, pretendia ilustrá-lo com as ditas cuecas. Já que todo o mundo viu, caso não tenhas visto, não queria que fosses para a cama dormir com a ansiedade de ser o único a não ter visto o tecido intimo da letizia.

    O curioso é que é quase impossivel encontrar a foto. Na internet que tem tudo (e ainda mais tratando-se de cuecas!!!) não encontrei.

    E pus-me a imaginar com os meu botões o adido de imprensa espanhol a telefonar para os jornais, para os ISP, etc. E não é que resulta? A google não filtra os conteúdos que vão para a china?

    E pus-me a pensar com os meus botões: Isto é o que me chega e que sei que não chega aos outros. E o que filtram antes de chegar a mim? Nunca o saberei. Ah, admirável mundo novo. Quero o mundo velho.