Porquê?

Ashraf Fayadh

Lembro-me do coro de indignação perante as decapitações do Isis.
Sei das sanções impostas ao Irão, por fazer parte do eixo do mal.

Ashraf Fayadh vai ser decapitado na Arábia Saudita por alegadamente ter abandonado a sua religião. Que o seu livro de poemas apelava ao ateísmo. Não teve direito a advogado de defesa nem a ser ouvido pelo juiz.

Só no mês passado a Arábia Saudita executou assim 47 pessoas. A maior parte por decapitação pública.
E no entanto faz parte do reino do bem. Ainda há poucos meses a Arábia Saudita passou a pertencer ao conselho dos Direitos Humanos da ONU. Não vejo sanções nem sequer censuras.

Abdullah bin Abdul Aziz Al-Saud

Na Arábia Saudita quem roube é punido com amputação das mãos. Uma mulher não pode conduzir ou falar com homens que não sejam da sua família. Quando morreu o rei Abdullah (na imprensa nunca o tratam por ditador), as Nações Unidas expressaram pesar dizendo, entre outras coisas boas, que sob sua liderança, a Arábia Saudita também se tornou um importante contribuinte de questões humanitárias, ajudando a melhorar a vida de pessoas em todo o mundo.

E eu só pergunto porquê? Porque faz a Arábia Saudita parte do eixo do bem? O que é o mal e o que é o bem?

Padrão

Helen Thomas – outra vez

Eu sei que este video tem mais que 15 segundos. Sei que é duma velha a falar. Que não tem flash, explosões ou música. Sei que o assunto nunca aparecerá no correio da manhã ou na cosmopolitan. Na verdade nem o maluco acha que tenha interesse.

Sei que esta velha foi despedida e calada. Porquê? Que diz ela? Que o jornalismo morre quando as perguntas cruciais vêm à cabeça mas não se perguntam. Que há coisas que têm que voltar, coisas como a honra.

Que temos acesso a mais coisas mas com menos profundidade. Que os jornais têm que limitar as histórias a 300 palavras. Que os correspondentes tudo o que ambicionam é terem 1 minuto de tempo de antena no noticiário da noite. E pergunta ela, como se pode contar uma história assim?

E que precisamos? Tomates! Que é preciso pesquisar os factos e contar as coisas tal como as vemos. Como pode haver democracia sem saber o que se passa na realidade?

Que sem verdade não há relevância. Que os donos das tvs e jornais deviam sair do ramo a menos que o seu interesse seja informar as pessoas.

E porque é preciso coragem? Porque a provável consequência é ser despedido. Digo eu. E como ela foi.

Padrão

Croissant com manteiga

A SIDA é uma praga. Ninguém discorda. E muito justamente por todo o mundo se tenta descobrir formas de tratamento mais eficazes. É razoável pensar que mais dia menos dia haverá cura ou vacina.

A Malária por ano mata tanta gente ou mais que a SIDA, cerca de 3 milhões. Morre uma pessoa a cada 20 segundos, mais coisa menos coisa. E desde há 50 mil anos que infecta e mata, na maioria dos casos crianças com menos de 5 anos.

Não será estranho que uma doença com 50,000 anos seja ainda tão mortífera? Principalmente se compararmos com a SIDA, que com poucas dezenas de anos já está em regressão. E se não o está mais, é porque em África quem se infecta não é tratado. Os medicamentos são muito caros…

Mas se soubermos que nos últimos 25 anos, apenas 1% de todos os medicamentos desenvolvidos no mundo foram para tratar as chamadas doenças tropicais, entre elas a Malária., então compreendemos.

A Malária só terá cura, quando for uma doença americana ou europeia.

Padrão

a Boubacar Bah

Boubacar Bah, um português naturalizado da Guiné-Conacri, morreu num centro privado de detenção americano. Sabe-se que bateu com a cabeça no chão, em circunstâncias pouco claras.

Quando recuperou a consciência foi levado para o departamento médico. Boubacar estava agitado e incoerente. Este é um sintoma claro de hemorragias intra-cranianas. Foi algemado e acorrentado ao chão para “evitar que se magoasse mais”. No chão Boubacar começou a gritar numa língua estrangeira. Apesar de lhe ordenarem que se acalmasse, manteve-se agitado e começou a vomitar no chão.

Por desobedecer a ordens, foi levado agrilhoado para uma cela de isolamento. Quando o largaram na cela, caiu e bateu novamente com a cabeça na cabeceira da cama.
Às 9 da manhã fecharam a cela. Nas verificações feitas pelos guardas, Boubacar parecia adormecido e espumava da boca.
Finalmente às 10:30 da noite, perante um homem imóvel e deitado na sua própria urina, com vómito acastanhado à volta da boca, Boubacar foi levado novamente para o centro médico.

As radiografias mostraram o crânio fracturado, hemorragias internas em todos os lados do cérebro inchado. Ficou quatro meses em coma e finalmente morreu.

Versão oficial: Morreu a 30 de Maio de 2007 na sequência de uma crise cardíaca.

AVIS DE DECES
Le Bureau exécutif de la GCA, les familles Bah, Barry et Diallo allies et amis ont la profonde douleur d’annoncer le décès de feu Boubacar Bah.

Détenu pendant 9 mois par les services d’Immigration des USA, par manque de document légaux, notre compatriote feu Boubacar bah s’est éteint à UMD hôpital, New Jersey à la suite d’une crise cardiaque, le 30 Mai, 2007.
Né à Gonkou Labé, le 1er Janvier 1955, fils de Mamadou Bailo Bah et Fatimatou Barry, feu Boubacar Bah est Marie et père de 3 enfants. En ces tristes moments que vit la famille de notre concitoyen, toute la communauté guinéenne, amis et sympathisants présentent leurs condoléances les plus émues et prie Allah de lui accorder le Paradis. Que son âme repose en paix, Amen.

Padrão

Engarrafamentos na ponte 25 de abril

segundo uma pequena notícia dum jornal o trânsito não esteve famoso ontem. alguém se pendurou na ponte com um papelão na mão. dizia “sem amor, sem abrigo”

a polícia diz que o indivíduo é reincidente. que porra, sem-abrigos reincidentes. e o trânsito? que porra. e logo em vésperas de natal com as pessoas cheias de pressa para irem comprar as prendas.

Padrão

Economista numa revista de psicologia

“Termos que dobrar os nossos filhos à nossa vontade, que é assim que se educam e não há outra forma. É uma violência mas é preciso que alguém o faça, e esse alguém sou eu.” Dobrar?!? À nossa vontade?!?

Aqui há dias li numa das gordas daqueles jornais que vivem de chupar na miséria alheia, fulana suicida-se deixando carta vingativa “Levo comigo aquilo que mais gostas”. Atirou-se ao rio com as duas filhas. Morreram todos.

Quero morrer também. Não quero viver neste mundo. Ou então fujo. Fujo para muito longe onde não possa ler jornais sórdidos, e não passe pela cabeça de ninguém matar as filhas para se vingar do marido.

Padrão