A propósito do desatino do autor não identificado. Afinal o que é importante?

O sol.
Quem o fez?

E o beijo?

Abraçar quem se ama.
Interessa por acaso quem criou essa felicidade?

A menos que seja deus e me espere um inferno desagradável.


7 Comentários

  • Maria Papoila

    Também não sei quem é o autor, mas agradeço-lhe todos os dias 🙂

    • Luis

      Luis

      Se adorasse um deus seria esse

      (mesmo assim não adoro, só gosto)

  • Isabel Pires

    (Abraçar quem se ama é uma felicidade “criada” pelos implicados no abraço; ninguém cria ou criou o sentir dos outros.)

    Tenho para mim que o que faz sentir bem, no sentido de ser agradável, dispor bem, evidenciar cuidado e criar elos que nos elevam enquanto seres emocionais e que interagem, também se apanha muito nas ‘coisas pequeninas’ e no detalhe, e implica uma focagem preferencial no como se faz (no trajecto), em vez de ser no fim a atingir.

    Se posso usar algo de alguém que está em coisa pública ou já foi editado, sem mencionar a autoria e o mais certo é não ter problema nenhum, posso sim e à partida até estou a enaltecer a obra. Mas não quero fazer assim, ou por norma não quero e por isso não o faço, porque me agrada não induzir o leitor na dúvida se se trata de algo meu e porque me agrada à partida seguir a linha de “o seu a seu dono”. Isto com “autores grandes ou conceituados”, os que estão distantes.
    Com os outros, por exemplo os dos blogues ou alguém que conheça pessoalmente ou não, tenho por hábito pedir para usar no caso de se tratar de uso que prevejo mais frequente (por exemplo, usar imagens de um blogue de fotos). E sempre que uso consta o nome que é link para o sítio.
    Ou então, se mencionar um texto ou livro, etc., destas pessoas de maior proximidade (que não são públicas, é o que quero dizer), tenho por hábito enviar-lhes uma palavra.
    É preciso? As coisas não se fazem na mesma? Não é preciso, e fazia-se na mesma. O fim é igual.
    Acontece que sempre que procedi assim, na escrita ou noutras coisas da vida, disseram-me e senti que esse cuidado fazia sentir bem. Também sinto isso, mais agradada, quando se trata de o fazerem comigo.
    Ora, se acrescenta valor ao que liga as pessoas, mesmo quem não se conhece, um sentir bem em comunidade, por que razão não se há-de fazer? (O empregado do café é pago para me servir em troca do dinheiro que lhe entrego para efectuar o pagamento, mas isso continua a não invalidar que lhe diga sempre obrigada quando me serve o café, que é um elemento que faz a diferença naquela relação, já que se eleva a dimensão, deixando de estar circunscrita à obrigação do propósito comercial.)

    A não referência ao autor pode acontecer por razões estéticas, por considerar-se que aquelas letrinhas não compõem bem o boneco, desviam a atenção de algo… Também já me aconteceu e nalgumas vezes sacrifiquei uma parte ou hesitei mais na forma de fazer. Agora adopto o princípio de referenciar sempre a autoria nalgum lugar, que pode não ser no corpo da coisa, mas estará algures (às vezes está apenas nas etiquetas).

    Depois encontro exemplos que saem destas regras mantendo-as , exemplos felizes, raros e bonitos, em que se faz referência ao autor sem o dizer à descarada.
    Um desses exemplos é o que fizeste há dias por aqui, com alguém muito belo a dizer que um olhar bonito é sempre difícil encontrar. Tenho a certeza que o Ruy Belo e a Teresa gostaram muito que o dissesses assim.
    (Ainda não tinha tido tempo de dizer o quanto apreciei a forma que usaste.)

    Depois disto não queria dizer uma coisa feia, ou que me desagrada.
    Não gosto de encontrar blogues com a opção copiar trancada. Mesmo que tenha muita vontade de usar algo dali, não me movo.
    Cheguei a ouvir donos desses espaços (pessoas que não vivem disto e não são “autores”) dizerem coisas deste género “se quiseres usar, tens de pedir e eu envio”. Na minha cabeça apareceu logo um não, que à partida o outro lado desconfia e a confiança tem de ser mútua; é uma forma de mostrar e divulgar e isso está cerrado e sujeito a pedido… não, não.
    Já disse que tenho por hábito dar um palavra, algo que se encaixa na cordialidade e está de acordo com o meu espaço de liberdade; por obrigação não faço, ou melhor faço requerimentos para aquilo que é mesmo necessário.

    • Luis

      Luis

      “ninguém cria ou criou o sentir dos outros”
      E quem criou os sentimentos? São tão bons e maus

      Compreendo e respeito a questão de citar os autores. E na medida que a irreverência me permite, faço-o. Tenho um site dedicado exclusivamente a isso.

      Mas existe um fundamentalismo que me aflige. Dedico horas sem fim e dinheiro todos os meses às obras dos outros, e no entanto volta e meia sou insultado e ameaçado porque citei alguém e não pus o nome. E por quem não estaria na disposição de fazer um décimo do que faço.

      Também se diga que a citação serve o ego ou a carteira. As dos outros são respeitáveis, tal como respeito o meu ego e carteira que precisam de ser alimentados. Mas perdoem-me o romantismo. Há coisas maiores que o ego e a carteira.
      E é por esse maior que me enamoro todos os dias.
      E quando me vêm chatear no meio dessa paixão que não pus o copyright, com todo o respeito que me merecem, nessa altura quero lá saber.

      • Isabel Pires

        Pois, também não acho que seja motivo para chatear. E não me aborrece se alguém usar algo meu sem referenciar a autoria.

        Vejo que a citação possa ser por algo mais do que servir o ego ou a carteira.
        Por exemplo, o Júdice é talvez o poema português vivo que mais aprecio. Uso muitas vezes textos dele e costumo referenciar a autoria também para levar a conhecer mais sobre a obra dele. É que a tendência é para que quando se vê um texto que se gosta, ir à procura de mais que aquela pessoa escreveu, e noto que há pouco o hábito de pesquisar a partir do texto que não tenha logo ali o autor.
        Também conheci e conheço mais dos autores que aprecio através de textos que me foram aparecendo e por isso agrada-me (e sinto uma espécie de dever agradável) poder contribuir para isso.

        Depois, às vezes penso numa situação limite, que seria a de nunca se mencionar o autor… se tal não seria separar a obra de quem a produz, o que me leva à pergunta/dúvida se é bom separar, ou até que ponto é positivo ou razoável contribuir para separar os dois lados, se é que são dois e não apenas um.
        Por exemplo, no caso do Zeca Afonso, a obra e o autor/pessoa/vida, devem ser abordados separadamente?

        Sei que estou a entrar em contradição com algumas opiniões que já tenho expressado.
        Por vezes acontece dizerem-me a propósito de certos autores que gosto, ah mas foi um reaccionário, etc… e eu responder que isso não vem ao acaso, que o que interessa é que escreveu bem.
        Então, às vezes digo que não podemos separar e noutras situações já digo que não interessa fazer essas ligações?
        É uma questão que me atormenta no mundo das palavras 🙂

  • Ana Gilbert

    Há um ‘entre’ que criamos nós a cada momento..

    • Luis

      Luis

      Bem vinda Ana, e bom ano!

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