18 comentários sobre “

  1. Pelas leis da Física sabemos que à medida que subimos a pressão do ar vai diminuindo. Assim, por exemplo, numa altitude de 3 km, a pressão do ar é de somente 700g por metro cúbico, o que causa dificuldades de respiração.

    Rarefeito também costuma ser utilizado para significar algo passageiro.

    Dando o salto para o campo metafórico, essa dificuldade de respirar à medida que se sobe pode funcionar nos mesmos moldes, embora possa existir a sensação de ser o contrário.
    Por exemplo, quando se sobe na escala social, quando se adquire mais poder ou se supõe ter ganho, quanto mais coisas temos, menos desafogados estamos no que à ‘respiração’ diz respeito. Aprisionados.
    Então, mais vale ser pobre, ter poucas responsabilidades, ter menos visibilidade, contar pouco? Não. Mas talvez valha a pena refrear a ambição, pelo menos repensá-la.

    E esta ‘lei’ vale para tudo, nomeadamente para os afectos?
    Teoricamente não vale, mas a vida vai-nos dando a noção de distância, por vezes enorme, entre o que queremos e o que conseguimos.

    • Luis Rodrigues disse:

      Conclusão a metáfora da subida é uma treta
      Na realidade quanto mais se sobe menor a pressão
      E a pressão ajuda a respirar, isto na astro física dos astros

      • Talvez não seja assim tanto treta, na medida em que nos remete para avaliar melhor as vantagens e desvantagens da subida e perspectivar um nível ‘confortável’ de ambição.

        Sublinho o talvez porque, na verdade, deixaste-me a pensar mais na cena do alpinismo, da escalada.

  2. Quanto aos afectos, não pode haver ambição a não ser no dar.Algumas vezes, escolhemos mal e lixamos-nos, de resto quanto mais raro melhor.
    Quanto à ambição, Isabel Pires, acho que ‘ambição confortável, é sim é uma treta :)
    Claro me virás com excepções…mas de excepções estou farta.

    • Inconfessável, é claro que não venho com excepções. :)
      (Estarei assim tão marcada por esse lado… acutilante, arrisco? Brinco, não leves a mal! :))
      Repara que eu até disse que sublinhava o talvez. Tenho poucas certezas sobre este assunto, como de tantos outros.

      No que concerne aos afectos, referi ambição no sentido de desejo, sem o associar ao sentido de posse, poder.
      E ‘ambição confortável’ surgiu como o contraponto de ambição desmedida.

      • Eu percebi o contraponto com a ambição desmedida.
        É muito raro levar a mal o que quer que seja :) estás à vontade.
        Nos afectos, não me estava a referir ao poder e muito menos à posse. Referia-me ao reflexo, que acho é o que muitos fazem. No desejo, quanto mais forte e raro melhor.
        Ou seja, quanto mais se subir melhor, sabendo que corremos o risco de haver poucos que nos acompanhem. Mas ficamos mais abaixo porque há muitos?

        • Inconfessável, vou esquecer as leis da Física relacionadas com a pressão do ar. :)
          Também digo já que não tenho resposta para a tua questão e talvez gostasse de ter.

          Vou centrar-me nalgumas sensibilidades, julgo que muito permeadas pela idade, género e por circunstâncias da vida.

          Em abstracto dir-te-ia que quanto mais subirmos melhor, apesar do risco de haver poucos que nos acompanhem. E há dez anos responder-te-ia assim sem qualquer hesitação.
          Então, desci a parada? Não. Curvo-me mais à realidade no sentido da aceitação de algumas ‘coisas’ que sei não conseguir ter ou ainda não conseguir ter. Não é uma acomodação, mas sim uma tentativa de não sofrer tanto com o que não depende apenas de mim, ao mesmo tempo que há maior espaço ao acaso.
          (Aqui a utilização da primeira pessoa apenas tem que ver com a facilidade do discurso.)

          Não me identifico com o ‘ficar mais abaixo porque há muitos’. No que quer que seja. É poucochinho e eu não gosto do poucochinho.
          Mas também tenho a noção, até por muito que vou observando, que atingir e sobretudo manter esse patamar ‘forte e raro’ pode ser difícil e compreendo que se arranjem estratégias que fiquem por degraus mais abaixo.

          Não tenho dados estatísticos que possa apresentar como tendências relativamente às diferenças de género no que a este assunto diz respeito, mas parece que existem.
          Por ser um tema que me interessa, tenho lido vários testemunhos e estudos, assim como tenho participado nalgumas conversas acerca desta matéria. E desses apanhados, sobressai a tendência para que as mulheres sejam mais permeáveis aos desgostos e às decepções no campo afectivo, e que tal condicione mais o arrancar de novo. Comparativamente, os homens parecem ter uma melhor capacidade de superação do negativo no que toca a este departamento, a que se associa um grau de exigência menor e a uma medição mais escrupulosa dos prós e contras de arriscar.
          O que acabo de dizer não tem qualquer ponta de juízo de valor.

          A ser uma argumentação credível, julgo que se entenderá a minha dificuldade em responder, assim como a razão de ter falado em gradações da ambição.

          • Isabel Pires, tento nunca fazer juízos de valor seja qual for o assunto, nem sempre consigo, mas sobre este tema garanto que não faço e que percebo qualquer estratégia. Embora nos afectos, não considere o reflexo como uma estratégia.
            No fundo, a capacidade de arrancar de novo é a capacidade de sermos resilientes. O que estás a dizer é que os homens são mais resilientes do que as mulheres, o que não é de admirar. Durante milhares de anos foram eles que iam caçar e guerrear.
            No entanto, elas foram também à sua maneira resilientes, na sua capacidade de sofrimento e, julgo eu, é por isso que demoram mais tempo a processar a dor.
            Eu sei que é uma análise muito superficial, mas é o que consigo fazer neste espaço.
            mas como tu, penso que há um condicionamento, sim.
            Uma boa noite

      • De forma resumida e sem grandes detalhes, dir-te-ia que a ambição é um desejo forte de algo – material ou não – enquanto a inveja é o desejo de algo que pertence a outrem, também material ou não.
        O ponto comum é o desejo e o elemento diferenciador a posse.

  3. Se o que desce é um gato com um pão torrado, barrado com manteiga, amarrado às costas, está evitado o esbardalhamento.

    Se for um homem com o mesmo mão, já não estou tão certa.

    (para entender este comentário, veja-se a entrada neste blogue «Gosto», do dia 8-05-2016)

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