2 comentários sobre “Do ted negro

  1. [A imagem é fabulosa!]

    À primeira leitura pareceu-me ser uma contradição, mas depois pensei que são afirmações que se podem complementar.

    “A necessidade aguça o engenho.” – Um provérbio popular que remete para o desenvolvimento da criatividade dos que têm poucos meios.
    Então, se fosse apenas assim tão simples ou redutor, a criatividade estaria circunscrita aos pobres e estaria associada a necessidades da base da pirâmide, não me referindo apenas ao primeiro nível da mesma.
    Muitas vezes, eu até sou levada a pensar neste assunto devido a funções que ao longo de muitos anos desempenhei e desempenho. Por exemplo, pôr de pé um festival há trinta anos é muito diferente de como se faz actualmente. Um simples stand era pensado e decorado por uma ou duas pessoas e com recurso a soluções caseiras, que nos consumiam e nos deixavam com o coração nas mãos até à abertura. De facto, funcionar assim também nos dava gozo e permitiu-nos uma aprendizagem importante. Quando se passou para novas soluções, o que implica a contratação de empresas especializadas na área, houve alguma tendência para criticar, pelo meio com o argumento de que daí para a frente apareceria tudo feito e o bichinho de desbravar novas soluções ia por água abaixo. Não tem de ser assim. Haver mais meios pode aumentar o desafio. A criatividade estará alguma vez saciada?
    Mas estar nas margens pode não ter que ver com posses, meios económicos, mas sim com franjas sócio-culturais. A necessidade de afirmação, enquanto forma de dignificar a minoria, pode ser muito premente.

    Quanto à afirmação do Galbraith, é verdade que os mais ricos podem arriscar mais do ponto de vista financeiro, porque têm meios para o fazer e porque a eventual perda tem menor impacto.
    Mas o arriscar mais, e depois de lermos a primeira frase, não se pode restringir a este plano.
    Mas como posso estar a escrever isto quando sei que há tanta gente que não tem dinheiro para comer? Sinto um certo incómodo.

    Luís, trouxeste aqui um assunto que dá pano para mangas.

  2. Luis Rodrigues disse:

    É a melhor coisa que me podem dizer, que fez pensar em coisas que não estão sequer aqui.

    É ajudar a fazer nascer coisas novas. É a diferença entre ser o principio ou o fim.

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