Comentário promovido a gente grande

amor

Por causa de um beijo. E quantos beijos há?

O beijo que se deu. o beijo que se lembra. O beijo que se deseja. O beijo que não se devia. O beijo negado. O beijo roubado. O beijo imaginado. O beijo molhado.

O beijo que acorda, o beijo que adormece, o beijo que enlouquece.

O beijo mata. Mas mata de quê? De raiva, de amor, de luxúria, de desespero, de sofrimento?

O beijo é tudo isto e mata de todas as formas.

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14 comentários sobre “Comentário promovido a gente grande

  1. Pensar que o beijo mata, ocorre-me: o beijo, a matar, mata o desejo; a morte associada a beijos é como que um renascimento. Num beijo não se morre, renasce-se ou ressuscita-se. E também se apazigua, no caso do sofrimento.
    Há todos os beijos que quisermos. Há-os de todos os ingredientes e circunstâncias.
    É bom inventar beijos! Com palavras, sentires e “arquitecturas” diferentes.
    Não entendi a raiva associada ao beijo. Beija-se com raiva?

    • Luis Rodrigues disse:

      não faço ideia, mas de certeza que sim

      Não penso neste tipo de coisas, escrevo tal qual as palavras me aparecem.
      Depois ás vezes faz sentido, outras vezes não.

      Neste caso até faz. A raiva atira-nos para a pessoa de quem temos raiva. A raiva é uma atracão, tal como o beijo.
      Faz-me mais confusão o beijo de sofrimento.

      • O beijo de sofrimento parece-me ser muito perturbador. Talvez o mais perturbador. Tive essa sensação assim que li.
        Não tinha pensado na raiva enquanto atracção… Então, talvez tenha um poder de atracção semelhante ao da fragilidade.

  2. Olhem lá, posso meter o bedelho, posso?

    Há beijos de raiva, há. E há-os de duas raivas diferentes: aquela raiva que assalta no meio de uma discussão patética em que ficamos com vontade de dar um par de estalos à alminha e um beijo de lhe arrancar um pedaço, e entre uma e outra ficamos ainda com mais raiva porque não sabemos por que lado começar; e a raiva que decorre de um fim anunciado – neste caso pode ser encarado como um beijo de despedida mal resolvido.

    Beijos de sofrimento também há. Aqueles que são meio de desespero, meio de despedida, meio de medo pelo que se vai fazer. O pior destes é que só se percebe bem do que eles eram, quando já é tarde, e, se antes foram de sofrimento para quem o deu, tornam-se de sofrimento para quem o recebeu.

    E também há o beijo que humilha. Mas esse pode entrar na categoria dos que matam.

    Ouvi dizer… Eu cá sou contra estas indecências e é por causa delas que o mundo está como está. :D

      • Carla, tu estás a falhar-me. ;)
        Então, respondes-me fora de ordem? ;)))

        Parece-me que essa descrição tão aprimorada do beijo de raiva termina numa nuance muito próxima do beijo de sofrimento.

        O beijo de sofrimento percebido na hora, conscientes de que é assim, talvez seja o mais perturbador desta categoria.

        • Desorientei-me, mulher! Este wordpress dá-me cabo dos nervos (hei-de repetir isto tantas vezes até dar cabo dos nervos ao dono do blogue e ele tomar uma atitude! naturalmente será pôr-me na lista negra :D).

          Sim, aquele beijo que «pois, acabou-se, né?» e vai desconsolado à vida dele.

          Perturbar, acho que todos os beijos perturbam, «ambos existem; cada um como é» (isto até já dá para citar Caeiro!). Ou seja, uns perturbam em bom e outros perturbam em mau. A indiferença é que é mesmo chata.

  3. Luis Rodrigues disse:

    Ora que bem que aqui se está. Lá fora está frio, sentem-se aí nos pufos que vou que buscar chá, torradas e um bagaço.
    :)

    • Puseste as mulheres a conversar, já viste?
      Mas não te pusemos de lado. Julgo, apesar de apenas falar por mim. Ah, e o bagaço pode ir dar uma curva. ;)
      Acho que ainda não estou desorientada ou perturbada, pegando nas palavras da Carla.

      Sabem, das coisas deliciosas das conversas à distância são as diferentes associações de significados e conceitos a uma mesma palavra ou expressão.
      Neste caso, refiro-me à perturbação do beijo de sofrimento. Acho que cada uma de nós associou a um tipo de sofrimento diferente. No meu caso foi àquele que não há volta a dar e não o tinha dito antes por entender ser deveras perturbador. Uma certa inibição advinda daí.

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