Sobre o tamanho do pénis (ou a arte de navegar)

Tenho um site e uma página de divulgação de poesia. Dá-me trabalho e despesa. Faço-o por gosto.

Quando o site era pequeno tinha um livro de visitas, como era comum na altura, onde recebia muitas mensagens de agradecimento. Sabia bem.

Agora cresceu e, ou por ter um ar institucional, ou porque há o sentimento que na internet só se tem direitos e que tudo é gratuito, as mensagens que recebo são bem diferentes.

– Uns reclamam porque entendem que um site de divulgação tem obrigação de fazer isto ou aquilo, como se eu fosse o Ministério da Cultura e eles contribuintes

– Outros reclamam por alguma anomalia do site, como se eu fosse o Meo e pagassem mensalidade. Mensagens tipo: “mandei um email ontem e ainda está na mesma!”

– Outros são mais engraçados, como o que recebi agora mesmo: “Quero um trabalho já feito sobre o bandarra e a estrutura do poema o bandarra.”

“Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis ante os porcos as vossas pérolas” (Mateus 7:6)
Se fosse eu a escrever a Bíblia, não punha lá isto porque não me parece muito bíblico.
Mas nos dias como hoje, apetece-me dizê-lo.

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6 comentários sobre “Sobre o tamanho do pénis (ou a arte de navegar)

  1. Qual é esse site e a página de divulgação de poesia?

    Alguém quer um trabalho já feito?
    Bastará procurá-lo, não?! (A não ser que queira que procurem por ele/ela.)

    • Luis Rodrigues disse:

      Escritas.org

      Poema do dia

      Há duas leis: Prazer imediato e Menor esforço.

      O problema é que muitas das cosias que dão compensação amanhã, dão algum trabalho hoje.
      Resolve-se isso através de duas técnicas: o Deixa para amanhã e o Empurra para outro

      O Deixa para amanhã, elimina o trabalho, mas não traz compensação
      O Empurra para outro é muito melhor, compensação sem trabalho

      O gajo do Bandarra tinha um trabalho para fazer, e pior que não o fazer é não ter vergonha de andar a dar trabalho a outros por causa do trabalho que ele não quer fazer.

      E normalmente (pode não ser o caso) estes espécimes são também aqueles que são pouco amigos de ajudar, precisamente porque dá trabalho.

      • Luís, felicito-te pelo site e pela página!
        E isto tem a sua graça. Bom, a “Poema…” não conhecia, mas o site sim e há bastante tempo, mas não há tanto como a sua existência. Criado em 1996… Fantástico! Nunca tinha reparado que eras o comandante deste excelente navio. Parabéns!

        É quase seguro que quem empurra para outro não está disposto a ajudar noutra ocasião, caso contrário não se teria demitido das suas responsabilidades.

        • Luis Rodrigues disse:

          O editor do site agradece ;)

          antes das escritas eram astormentas que navegavam por mares nunca antes navegados pela poesia na internet, ou seja: haviam poucos ou nenhuns sites :)

          era o sitio de referência na net, cheguei a notar que se tinha um erro num poema no site, passados uns tempos estava por todo o lado, cinquenta e um mil blogues com poemas errados

          agora com o advento da publicidade e em que até os nichos dão dinheiro há sítios cheios de banners com shampoo e ucranianas, que fazem um trabalho muito melhor de se empurrarem

    • Luis Rodrigues disse:

      gostei do felizmente porque gosto de acreditar

      confesso que no caso do site já não consigo por causa da história
      o site é muito frequentado por estudantes a quem obrigam a dizer o que pensam
      na ausência disso fustigam regulamente com pedidos de quem pense por eles

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