• 01 Set 2015

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    Tenho visto imensos CVs recentemente. Tem sido interessante e deprimente.

    A riqueza nacional nacional, restritamente medida pelo PIB, depende do trabalho. E sempre achei curioso como o mérito do trabalho sempre foi dado aos patrões e nunca aos trabalhadores.

    Se a produtividade baixa a culpa é dos trabalhadores, se o o PIB aumenta deve-se ao dinamismo dos empreendedores.

    Não muitos anos atrás a culpa do desemprego era, claro está, dos trabalhadores. Tínhamos mão de obra que não prestava, pouco qualificada. Agora fizeram agulha, e o que precisamos é de flexibilidade. Recebo CVs de pessoas com anos de experiência e de formação dispostos a trabalhar áreas que não têm nada a ver. As tais cabecinhas falantes dizem que é disto que precisamos agora.

    E assim lá continuamos a massacrar os trabalhadores, e a premiar o patronato. Lá vai subindo o IRS e descendo o IRC. Porque do que precisamos é de patrões que é a eles que se deve a produção e o trabalho.

    Precisamos de empreendedores e não de trabalhadores. E assim acabo de receber o curriculum de alguém que acabou de fazer um “Curso de relações publicas e marcking ‘Empreendedorismo'”.

    O trabalhador deve até sentir-se agradecido por lhe darem trabalho, e não o contrário. E é para isso que o desemprego é imprescindível ao capitalismo. Para que o trabalhador seja dispensável. Há sempre mais para o seu lugar. Se o desemprego baixa, vai-se buscar mais à despensa do capital, o terceiro mundo.

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