Das selfies

Dizem que uma imagem vale mil palavras, e ainda bem porque a maioria nem dez palavras escreve, quanto mais mil.

No outro dia tive que preencher um formulário à mão e foi estranho. Como quem volta a andar de bicicleta passados 20 anos. Ainda se consegue andar mas falta o à vontade. Escrever desde há muito que se faz no pc, o irs faz-se na internet, tomar notas é no telefone, as cartas e postais agora são emails.

A caneta está em extinção. E aquela habilidade que existe em desenhar riscos no papel, em breve vai ser coisa do passado. Na escola aprender a escrever vai ser num teclado.

Isto não me assusta. Mudança só não é natural para os velhos do restelo. E a forma como se escreve não altera nada de essencial.
O que realmente me preocupa é a extinção da própria escrita.

A imagem é cada vez mais fácil e pervasiva. As cartas e postais foram trocadas por uma fotografia enviada a partir do telemóvel. As reportagens e jornalismos, são cada vez mais baaseadas em imagens, ao ponto de que muitas vezes o que determina se algo é noticiado ou não, é a existência de imagens. Descrever algo usando palavras está em desuso.

E isto preocupa-me porque perdendo a escrita, a linguagem fica mais pobre e a humanidade fica mais pobre. Há sentimentos, expressões e conceitos que não fazem parte da linguagem normal do dia a dia. E é essa densidade que estamos a perder.

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