2 comentários sobre “Tolhidos

  1. 'As mulheres loucas arrumam os quartos, fazem
    as camas desfeitas, empilham camisas e calças,
    abotoam os cintos do infinito, prendem os laços
    da sombra. Com os seus olhos cegos, enfiam
    agulhas no buraco da vida, cosem as feridas
    do amor que não tiveram, cantam devagar
    a canção da idade fria. Dispo essas mulheres
    no meu poema; espalho as suas roupas pelas cadeiras
    do quarto; abro a cama onde as deito; rasgo
    os pontos que acabaram de coser. O seu sexo –
    seco pelos ventos de uma inquietação nocturna
    – humedece-me os dedos. Desfolho os dias de março
    enquanto desfloro os seus lábios. Por vezes,
    as mulheres loucas abrem a porta da varanda,
    respiram o perfume das trepadeiras brancas
    da primavera, desmaiam com o sol.'

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