Melão

Enquanto esperava pelo melão, cheguei a uma conclusão.
Rima, deve ser verdade.

Tenho que me livrar desta ânsia da utilidade, que as coisas têm que servir para alguma coisa, senão não servem para nada.
A subtileza que muitas vezes me lixa é a noção que uma coisa é tanto mais útil quanto mais durar, ou a mais pessoas chegar. Um gajo conhecido chega a muita gente, é importante. Escrever aqui é insignificante.

Ninguém se sente bem com a insignificância. Ora, é impossível todos chegarmos a todos. E é por muitos tentarem, que somos hoje em dia soterrados com mais e mais coisas. Noticias, musicas, escritos, filmes, tudo. Somos bombardeados com mais coisas do que jamais seremos capazes de absorver.

Podemos entrar nesta luta insana para chegar a mais e mais pessoas. Que isso nos trará satisfação e essa coisa indefinível: felicidade.
Ou então, conseguir enfiar na cabeça que essa tal felicidade não é coisa que se meça. E obtê-la das pequenas coisas sem importância e que não significam nada.

Há uma terceira via. São aqueles momentos em que todo o mundo é uma pessoa.
E ser importante para essa pessoa é melhor do que tudo o que se possa desejar.
É por isso que a vida sem amor é difícil demais para merecer ser vivida.

E a culpa disto tudo é do melão.

Padrão

Um comentário sobre “Melão

  1. A verdade é que não é verdade. O final foi só para ficar uma frase bonitinha com mais impacto. Se a vida sem amor não merecesse ser vivida, a humanidade já tinha desaparecido há muito, muito tempo. A verdade é que nos é difícil amar.

    Mas andamos sempre atrás dele, porque não há nada mais forte.

    Ah, também não é bem verdade. Quando se tem uma dor de dentes 'daquelas', o amor que se lixe :) Ou quando nos cai um braço ao chão.

Deixar uma resposta