Justiceiros da estrada

Há tanta gente na estrada dedicada a impôr a lei e a ordem, que tenho para mim que a Brigada de Transito é desnecessária.
É claro que para os Justiceiros da estrada os maus condutores são todos os que não conduzem como eles.
Buzinam, fazem sinais de luzes e tudo o que for preciso para travar os Idiotas e Maníacos.



Hoje um Justiceiro mudou de faixa mesmo para cima de mim. Primeiro encostei-me, depois tive mesmo que travar para não batermos. Eu vinha a mudar demasiadas vezes de faixa, impunha-se castigar-me. Como não reagi, sentiu que o castigo infligido tinha sido em vão. Começou então a mostrar-me que era pessoa possuidora de dedos do meio.

Confesso que os Justiceiros me irritam profundamente. São tão rápidos a buzinar como a fugir, quando a gente se chega ao pé deles.

Hoje de manhã assim que saí do carro, o senhor dos dedos ficou sem dedos, sem janela e com um torcicolo que o impedia de olhar para o lado. É certo que a minha vontade era de lhe ficar com os dentes todos, mas podiamos ter conversado na mesma.

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3 comentários sobre “Justiceiros da estrada

  1. A estrada é provavelmente dos sítios mais igualitários que existem.

    Onde moramos, ou onde trabalhamos ou até mesmo onde vamos às compras, há pessoas mais ou menos semelhantes a nós. Na estrada todos se cruzam desde o Belmiro que passa no Jaguar ao sem abrigo que atravessa a rua.

    Como se pode esperar que a coisa coisa corra bem? Cada um tem a sua visão das coisas.

    É por isso que odeio os Justiceiros. São os gajos que têm que impor o seu modo de vida a todos à sua volta. Odeio-os. Como odeio todos os que exercem posições de poder. Por mim fecha-os todos numa sala, para se chatearem uns aos outros, e deixarem-me a berguilha em paz.

  2. Cruzei-me com outro Justiceiro.

    Cabrão de filho da puta da cona da mãe dele e outros nomes que não me lembro agora. Considerem-se todos ditos.

    Nem teve nada a ver comigo. Dois gajos à beira da estrada a discutir. Se calhar um abriu a porta de repente à passagem do outro, ou divergiram na abordagem à semiótica objetivada numa perspetiva revolucionária da dialética natural da razão. Sei lá.

    Seja o que for, o cabrão do Justiceiro, em vez de passar à volta, buzinava que nem uma maluca em dia de são joão. Que é amanhã.
    Deixar os outros resolver a suas questões de portas ou de metafísicas em paz? Náááá. O Justiceiro tem o direito tem o direito de passar a direito na sua faixa sem se desviar um milímetro.

    Há que impor a razão. A justiça. A lógica. A sua justiça e a sua lógica. Nem que para isso tenha que pôr a mundo a girar ao contrário.

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