9 comentários sobre “REVOLUÇÃO!

  1. HORA ABSURDA
    “O teu silêncio é uma nau com todas as velas pandas…
    Brandas, as brisas brincam nas flâmulas, teu sorriso…
    E o teu sorriso no teu silêncio é as escadas e as andas
    Com que me finjo mais alto e ao pé de qualquer paraíso…
    Meu coração é uma ânfora que cai e que se parte…
    O teu silêncio recolhe-o e guarda-o, partido, a um canto…
    Minha idéia de ti é um cadáver que o mar traz à praia…, e entanto
    Tu és a tela irreal em que erro em cor a minha arte…
    E eu deliro… De repente pauso no que penso… Fito-te
    E o teu silêncio é uma cegueira minha… Fito-te e sonho…
    Há coisas rubras e cobras no modo como medito-te,
    E a tua idéia sabe à lembrança de um sabor de medonho…

    Para que não ter por ti desprezo? Por que não perdê-lo?…
    Ah, deixa que eu te ignore… O teu silêncio é um leque-
    Um leque fechado, um leque que aberto seria tão belo, tão belo,
    Mas mais belo é não o abrir, para que a Hora não peque…”

    (Fernando Pessoa)

  2. Anonymous disse:

    (…)
    Eis o lugar em que o centro se abre
    ou a lisa permanência clara,
    abandono igual ao puro ombro
    em que nada se diz
    e no silêncio se une a boca ao espaço.
    Pedra harmoniosa
    do abrigo simples,
    lúcido,unido,silencioso umbigo
    do ar.

    o teu corpo
    renasce
    à flor da terra.
    Tudo principia.

    António Ramos Rosa

  3. Anonymous disse:

    “Oiço correr a noite pelos sulcos

    do rosto-dir-se-ia que me chama,

    que subitamente me acaricia,

    a mim,que nem sequer sei ainda

    como juntar as sílabas do silêncio

    e sobre elas adormecer.”

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