10 anos de Fiama

Nada tão silencioso como o tempo
no interior do corpo.


2 Comentários

  • Isabel Pires

    Como um dos exemplos da garra que lhe era característica (serena mas com fúria, diz quem a conheceu) conta-se que certa vez, quando foi revistada por uma PIDE chamada Madalena, que lhe despejou a mala, disse-lhe: “Agora volte a pôr tudo lá dentro.”

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    Deixo outro poema, que não tenho a certeza de ter como título “Às vezes as coisas dentro de nós”:

    O que nos chama para dentro de nós mesmos
    é uma vaga de luz, um pavio, uma sombra incerta.
    Qualquer coisa que nos muda a escala do olhar
    e nos torna piedosos, como quem já tem fé.
    Nós que tivemos a vagarosa alegria repartida
    pelo movimento, pela forma, pelo nome,
    voltamos ao zero irradiante, ao ver
    o que foi grande, o que foi pequeno, aliás
    o que não tem tamanho, mas está agora
    engrandecido dentro do novo olhar.

    Fiama Hasse Pais Brandão | “As fábulas”

  • Isabel Pires

    Como o assunto é poesia e pessoas bonitas, recordo que nesta data o Eugénio de Andrade faz (não é faria ou fazia) noventa e cinco anos.
    E foi precisamente neste dia que descobri, através de uma entrevista, o poema que ele preferia de todos os que escreveu, que é:

    Memória dos dias

    Vais e vens na memória dos dias
    onde o amor
    cercou a casa de luz matutina.
    Às vezes sabíamos de ti pelo aroma
    das glicínias escorrendo no muro,
    outras pelo rumor do verão rente
    ao oiro velho dos plátanos.
    Vais e vens. E quando regressas
    é o teu cão o primeiro a sabê-lo.
    Ao ouvi-lo latir, sabíamos que contigo
    também o amor chegara a casa.

    Eugénio de Andrade | “Os Sulcos da Sede” (2001)

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    Achei curioso e gostei dessa espécie de espanto que senti.

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